Dificuldade de recrutar soldados revela desgaste russo e reconfigura guerra na Ucrânia
As principais revistas francesas que chegaram às bancas nesta semana abordam a guerra na Ucrânia, em um momento em que o avanço terrestre russo está bloqueado pela falta de efetivo. Para as publicações, a nova fase do conflito, marcada por bombardeios e ataques de longo alcance, é um sinal de que a paz continua distante.
A Nouvel Obs publica uma reportagem sobre a crescente dificuldade de recrutamento na Rússia . Oficialmente, o ingresso nas Forças Armadas do país é voluntário e regido por contrato, afirma a revista. Mas, diante das perdas no campo de batalha, as autoridades têm recorrido a métodos cada vez mais coercitivos. Relatos nas redes sociais que conseguem driblar a rígida censura russa descrevem jovens capturados nas ruas, detidos e ameaçados de responder por tráfico de drogas caso se recusem a assinar o alistamento.
O presidente russo, Vladimir Putin, corre contra o relógio ao mesmo tempo que Kiev intensifica sua campanha de bombardeios com drones em território russo. Esse é, aliás, o foco de uma análise publicada pela revista Courrier International , que afirma ser "incontestável" o sucesso técnico das operações ucranianas.
Os ataques ucranianos atingiram duas refinarias russas no início deste mês, reduzindo a capacidade de processamento do país em um terço. A Ucrânia também passou a mirar em armazéns da gigante do comércio online Wildberries , que fornece equipamentos militares a Moscou, causando prejuízos próximos de € 3 bilhões.
"Paralelamente, os ataques no mar de Azov, que atingiram 236 navios-alvo somente em julho, reduziram a circulação marítima russa em três quartos nesse eixo crucial", observa o semanário .
A revista L'Express traz uma reportagem sobre o Estreito de Kerch, único ponto de passagem entre o mar de Azov e o mar Negro, descrito no título como "o eterno campo de batalha entre Rússia e Ucrânia". "A crise no Estreito de Ormuz mostrou bem como os estreitos têm um papel crucial no comércio mundial", explica o texto, ao recapitular as décadas de disputa pelo Estreito de Kerch entre Moscou e Kiev.
A publicação lembra que, desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, as hostilidades se intensificaram na região, com a Ucrânia multiplicando ataques contra a ponte que liga a península da Crimeia à Rússia - território ucraniano anexado por Moscou em 2014.
Em julho deste ano, uma vasta campanha ucraniana mirou em navios na região, atingindo uma centena de embarcações e afetando o tráfego marítimo russo. Para a revista, o principal objetivo é asfixiar a península da Crimeia, em uma batalha territorial, econômica e simbólica.
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