Oncoclínicas muda diretor financeiro em meio à reestruturação
O conselho de administração da Oncoclínicas aprovou nesta segunda-feira a eleição de Maurício Hasson para os cargos de diretor financeiro e de relações com investidores da companhia. Com dívidas de R$ 5 bilhões, a empresa busca recuperação extrajudicial e enfrenta disputa de sócios após CVM determinar obrigatoriedade de OPA (oferta pública de ações) relacionada à transação realizada em 2024.
Maurício Hasson substituirá Isaac Quintino, que permanecerá na empresa até a conclusão do processo de transição. Depois, o atual diretor financeiro deixará a companhia para seguir em seus novos objetivos profissionais, informou a Oncoclínicas. Quintino ocupava ambas as diretorias interinamente desde 24 de abril de 2026. Ele estava há oito anos no grupo.
Hasson tem uma trajetória profissional com mais de 14 anos em cargos de CFO. Ele teve passagem pela Oncoclínicas de 2015 a 2016. Anteriormente atuou em bancos de investimento no Brasil e Estados Unidos.
Em agosto, CVM (Comissão de Valores Mobiliários) aprovou a obrigatoriedade de uma OPA (oferta pública de ações) na Oncoclínicas. Foram três votos a zero entre os diretores da comissão. Com a decisão, acionistas da empresa do fundo americano Centaurus serão obrigados a fazer uma oferta para comprar ações dos minoritários.
Fundo entrou com uma arbitragem contra a gestora Latache, que é minoritária, questionando a obrigação sobre a OPA no estatuto da companhia. O colegiado contou com Otto Lobo, João Accioly e Igor Muniz. A diretora Marina Copola não participou da reunião e havia se declarado impedida.
Com dívidas de R$ 5 bilhões, a Oncoclínicas entrou com um pedido de recuperação extrajudicial em julho deste ano. As ações dispararam nessa semana com a perspectiva de aprovação da OPA. O voto deve ser publicado nesta quarta-feira. A expectativa é de que ele especifique o recorte da composição acionária que vai se beneficiar da OPA.
Disputa é sobre a aplicação de uma cláusula do estatuto da companhia. Ela determina que quem passa a deter 15% ou mais do capital faça uma oferta para comprar as ações dos demais acionistas, com prêmio. Os minoritários apontam como gatilho a reorganização de novembro de 2024, que tornou direta uma fatia de 31,83% concentrada no fundo Josephina III.
Até 2024, a fatia da Oncoclínicas estava dentro de uma estrutura gerida pelo Goldman Sachs. A Centaurus era dona do dinheiro aplicado ali, mas quem administrava a posição era o banco. A reorganização tirou a participação dessa estrutura e a transferiu para um fundo da Centaurus. Para os minoritários, foi nesse momento que a gestora passou a deter as ações e disparou o gatilho.
Centaurus sustenta que não houve compra. Afirma que já era dona da fatia desde 2018, antes da abertura de capital da Oncoclínicas, em 2021, e que a operação mudou apenas a forma de detenção. O estatuto prevê exceções à obrigação de oferta. Em junho, a área técnica da CVM aceitou o argumento e concluiu que não houve entrada de novo investidor relevante, apenas redistribuição de uma posição.
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.