OMS alerta para alto risco de disseminação do Ebola na República Democrática do Congo e outros países
O surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) está avançando mais rapidamente do que qualquer epidemia anterior da doença e corre o risco de se espalhar para outros países, alertou nesta terça-feira (18) o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS).
"Precisamos ser francos: a epidemia está longe de estar sob controle", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante uma reunião de emergência sobre o surto. "Ela teve uma grande vantagem inicial, e ainda estamos tentando alcançá-la."
A declaração foi feita depois de a RDC informar, na segunda-feira, que o surto havia provocado mais de 2.300 mortes entre quase 5.000 casos, tornando-se o mais letal da história do país.
Declarado em 15 de maio, o 17º surto de Ebola na RDC provavelmente já estava se espalhando havia várias semanas naquele momento. O surto atingiu regiões do norte e do leste do país onde a presença do Estado é limitada, a infraestrutura de saúde é escassa e inúmeros grupos armados atuam há décadas.
O surto "está sendo alimentado pela insegurança e pelo deslocamento de pessoas, além da intensa movimentação populacional por estradas, rios e rotas de mineração", afirmou Tedros, segundo a transcrição de suas declarações.
O vírus, que se espalha pelo contato com fluidos corporais e provoca uma febre hemorrágica, "está avançando mais rapidamente do que qualquer surto anterior de Ebola", alertou.
Três meses após a declaração do surto, foram registrados na RDC sete vezes mais casos e cinco vezes mais mortes do que nos primeiros três meses do maior surto de Ebola da história, segundo os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC).
Aquele surto atingiu a África Ocidental entre 2013 e 2016 e matou mais de 11.300 pessoas, principalmente na Libéria, em Serra Leoa e na Guiné.
Um surto ocorrido na RDC entre 2018 e 2020, até então considerado o mais letal do país, matou 2.299 pessoas entre 3.381 casos confirmados, segundo dados da OMS baseados em informações congolesas.
Esta foi a segunda reunião do comitê de emergência da OMS desde que, em maio, a organização declarou o surto uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, seu segundo nível de alerta mais elevado.
Atualmente, a agência de saúde da ONU classifica o risco para a saúde pública como "muito alto" em nível nacional na RDC, "alto" para Uganda e outros países vizinhos e "baixo" para o restante da África e do mundo.
Até o momento, foram registrados casos em seis províncias da RDC, inclusive perto da fronteira com o Sudão do Sul, além de casos no vizinho Uganda. "O risco de uma maior disseminação nacional e internacional continua alto", insistiu Tedros.
Não existe atualmente uma vacina ou tratamento específico para a cepa Bundibugyo, responsável pelo atual aumento dos casos de Ebola, embora ensaios clínicos estejam em andamento.
O diretor da OMS afirmou que sua maior preocupação é "onde as pessoas estão morrendo: em casa, em suas comunidades, fora dos centros de tratamento e fora das listas de contatos conhecidos".
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