Homens tentam entrar na WNBA após jogadora pedir veto a atletas trans
A armadora Sophie Cunningham, que joga no Indiana Fever na WNBA, defendeu que mulheres trans não possam jogar na liga norte-americana de basquete feminino. Foi o início de uma polêmica que agora faz ex-jogadores da NBA tentarem entrar na WNBA.
A fala foi apoiada pelo presidente Donald Trump e se tornou pauta da extrema-direita dos EUA. "Quero proteger meninas jovens em um vestiário, ou meninas jovens no esporte que não deveriam ter que competir contra homens biológicos", disse Cunningham à ESPN local, no fim de julho. O termo "homens biológicos" foi usado pela atleta para se referir a mulheres trans que poderiam jogar na WNBA.
Na sequência, Enes Kanter Freedom, que jogou 11 temporadas na NBA, e Royce White, ex-Sacramento Kings, anunciaram que pretendem se declarar elegíveis para o Draft da WNBA em 2027. Eles afirmam que a liga feminina não estabelece critérios claros quanto à aceitação ou não de mulheres trans.
Freedom registrou sua candidatura com envio de uma carta à liga. O acordo coletivo de trabalho da WNBA com a associação de jogadoras estabelece que "só jogadoras que são mulheres" podem atuar na liga, mas não é claro quanto à autodeclaração, argumento utilizado por ele para tentar uma vaga no Draft de 2027.
Se simplesmente declarar quem você é é tudo o que é necessário, então cumpro todos os requisitos necessários para jogar na WNBA. Eu e minha equipe analisamos cuidadosamente os critérios de elegibilidade da WNBA e as normas que regem a autodeclaração e a inclusão. Com base nas diretrizes atuais, posso e estou oficialmente declarando minha elegibilidade para o próximo draft da WNBA, em abril de 2027 Enes Kanter Freedom, ex-jogador da NBA
Nenhuma mulher trans entrou em quadra em toda a história da WNBA. Duas atletas não-binárias, que não se identificam com nenhum gênero, já jogaram na liga (Layshia Clarendon e AD Durr). "Não estou aqui para zombar, fazer piada ou desrespeitar qualquer comunidade ou escolha pessoal. Estou simplesmente pedindo que as regras atuais sejam aplicadas igualmente a todos", completou Kanter.
Após a repercussão do caso, a WNBA levou o assunto a uma reunião entre presidentes e gerentes-gerais dos times, em encontro que já estava previamente marcado. A liga afirmou, em nota, que o tema continuará sendo discutido "nas próximas semanas e meses". Sem citar diretamente os nomes de Freedom e White, também condenou as "tentativas de má-fé".
Abordaremos essas conversas importantes de forma cuidadosa e em alinhamento com os valores da nossa liga. Não há, no momento, nenhuma questão imediata de elegibilidade que afete a WNBA, e condenamos veementemente as tentativas de má-fé de usar esses temas para menosprezar ou marginalizar outras pessoas. WNBA, em comunicado oficial
Cunningham, a jogadora que se posicionou contra a inclusão de mulheres trans na WNBA, tem sido adotada por apoiadores de Trump, sendo chamada de "Barbie MAGA" (Make America Great Again, slogan do republicano que, em tradução livre, significa "Tornar a América Grande Novamente").
Trump, inclusive, já atuou para barrar a atuação de pessoas trans nos esportes.
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