Dívida de Memphis cresce de novo se Corinthians atrasar, diz membro do Cori
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× No processo de renovação com Memphis Depay, o presidente do Corinthians, Osmar Stábile, consultou o Cori (órgão de orientação do Conselho). Houve aprovação apertada de 7x6 a favor de um aval para o novo contrato com o holandês.
O secretário do Cori, Paulo Roberto Bastos Pedro, foi um dos que se opuseram à renovação. Em entrevista ao blog, ele reconhece o desconto da dívida, mas aponta os perigos do novo acordo.
E critica de forma pesada o acordo original com Memphis, assinado pelo ex-presidente Augusto Mello.
"O contrato do Memphis (o primeiro) é o mais vergonhoso da história do Corinthians. Pagou luvas milionárias. Salários e diretos de imagem não condizentes com o mercado. Aquela produtividade ridícula. Valores excessivos em relação ao mercado", contou ele, que teve pela primeira vez acesso ao documento.
O conselheiro cita mordomias como cozinheira, jato, casa mobiliada em padrão internacional ou hotel, etc. Para ele, os autores do primeiro contrato deveriam ser responsabilizados civilmente.
Sobre a renovação, Paulo Pedro diz que é ainda assim um mau acordo ainda que seja melhor do que o anterior.
"É uma sequencia tão ruim de negociações e contratos. O mau acordo parece a melhor coisa do mundo. Ainda assim é um mau acordo. Estamos falando de um jogador que tem um gol na temporada. Mas a Fiel Memphis Depay está feliz", conta o conselheiro.
E apontar o maior risco do contrato: qualquer atraso do Corinthians provoca um novo salto da dívida. Memphis aceitou renegociar o débito por R$ 42 milhões, pagos em quatro parcelas. O custo total é de R$ 56 milhões por conta dos impostos.
Com juros, o valor chegaria a R$ 77 milhões. E esse será o montante se o Corinthians deixar atrasar parcelas.
"Desde que o clube pague ao dia. O contrato mais lesivo da história gerou um crédito. O jogador e seu staff dão um desconto. Mas esse acordo tem que ser pago religiosamente porque a dívida volta ao valor original. Ele vai ter que honrar de forma pontual. Isso é perigoso. Por que se atrasar, o transfer ban de 50 vai virar 100 milhões", analisou.
Por se opor ao acordo de Memphis, Paulo Pedro foi perseguido e amaçado por torcedores assim como o presidente Osmar Stábile. Seus dados foram vazados, inclusive telefones de familiares. Sua mãe, que é idosa, recebeu telefonemas com ameaças ao conselheiro.
Esse é o cenário de pressão que parte da torcida exerceu sobre o Conselho pela renovação de Memphis.
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