'EUA em primeiro lugar': como Trump troca diplomacia por aliados políticos e tensiona a relação com o Brasil
Brasil avalia que que EUA queimaram etapas na indicação de embaixador Daniel Perez A atual crise entre Brasil e Estados Unidos, agravada em agosto com a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, ocorre em meio a um contexto mais amplo de transformações na diplomacia americana. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Especialmente neste segundo mandato, iniciado em 20 de janeiro de 2025, o presidente republicano Donald Trump vem adotando uma política externa comumente descrita por analistas como "transacional", ou seja, que busca maximizar os ganhos para os EUA de forma mais imediata.
Isso é demonstrado por iniciativas como as guerras tarifárias e tentativas de influenciar eleições e assuntos domésticos em outros países.
Segundo diplomatas americanos e estrangeiros, alguns dos quais comentam o assunto de maneira reservada, as mudanças têm sido profundas dentro do Departamento de Estado, responsável pelas relações internacionais do país.
A American Foreign Service Association (AFSA), associação que representa diplomatas de carreira na ativa e aposentados, calcula que cerca de 3 mil deles, de um quadro total de 14 mil, tenham pedido demissão, se aposentado ou sido forçados a sair nos últimos 18 meses.
"São diplomatas de carreira com décadas de experiência, que sabem como negociar com governos estrangeiros, têm amplo domínio de línguas estrangeiras e experiência em todas as diferentes áreas da política externa", diz à BBC News Brasil um representante da AFSA.
"Todo esse vasto conhecimento e essa experiência estão sendo afastados em grande escala.
E, no longo prazo, isso acaba prejudicando o país", afirma.
O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, diz à BBC News Brasil que a redução do quadro de pessoal faz parte de uma "reestruturação histórica" do órgão e que os funcionários foram notificados sobre as demissões "em conformidade com todos os requisitos legais".
"Essas medidas foram elaboradas minuciosamente para viabilizar uma diplomacia alinhada ao 'America First' ["Os EUA em primeiro lugar", um lema de Donald Trump] que seja mais eficiente, ágil e assertiva", ressalta Pigott.
Para a AFSA, há uma tentativa de politizar o serviço diplomático.
"Os diplomatas sempre se orgulharam de seu compromisso apartidário com a política externa dos Estados Unidos.
Passamos nossa carreira trabalhando tanto para governos democratas quanto republicanos, implementando as políticas de cada administração", diz o representante da associação.
De acordo com dados da AFSA até 10 de agosto, a maioria dos 113 nomeados por Trump para postos de embaixador são indicados políticos, e apenas 20 são diplomatas de carreira.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Mundo.