'Desumano': jogadoras de vôlei criticam medida que pode aposentar Tifanny
O Sul-Americano de vôlei feminino acontece no Rio de Janeiro pouco menos de um mês depois de a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) anunciar que passaria a limitar as competições femininas exclusivamente a atletas do sexo biológico feminino.
A medida, na esteira da decisão do COI (Comitê Olímpico Internacional), impacta diretamente em Tifanny Abreu , mulher trans que atua no Osasco São Cristóvão Saúde . Aos 41 anos, ela pode não ter mais torneios para disputar e precisar encerrar sua carreira.
Uma ex-companheira da atleta lamentou a decisão da CBV . A argentina Bianca Cugno, que atuou ao lado de Tifanny no Osasco na última temporada, falou sobre o assunto.
Eu fiquei muito triste por ela, porque sei de todo o esforço que ela faz para jogar. Falei um pouquinho com ela, tentando dar ânimo e para que ela continue. Agora, tem o Paulista, mas eu não acredito no que aconteceu. Juro! Ela é uma jogadora que não merece isso. Mais até pela pessoa que a Tiffany é e todo mundo conhece Bianca Cugno
Luzia e Roberta, atletas da seleção brasileira, falaram sobre o tema — a primeira, aliás, considerou o ato como "desumano".
Eu fiquei um tanto quanto chocada. Eu amo a Tiffany, acho ela uma atleta e uma pessoa f... Não vou negar que fiquei muito mexida. De um dia para o outro a pessoa perde o sustento. Com certeza, ela se planejou para uma Superliga, então acho que foi desumano fazer isso com ela Luzia, central da seleção brasileira
Independentemente do que a CBV venha a definir, acho que poderia ter definido de uma forma mais empática, respeitando a atleta Tiffany e respeitando também o clube Osasco. Você fecha um contrato, você se prepara para uma temporada e, da noite para o dia, você se depara com uma notícia dessa. É um pouco injusto. [...] Acho que foi mais uma questão de faltou uma conversa antecipada ou talvez uma projeção para uma próxima Superliga para todo mundo se preparar melhor Roberta, levantadora da seleção brasileira
O UOL abordou também outras atletas, que preferiram não se manifestar. Questionado sobre o tema, o técnico José Roberto Guimarães disse que gostaria de falar sobre o Sul-Americano.
Tiffany ainda está em ação no Paulista . A FPV (Federação Paulista de Vôlei) informou que o torneio segue as normas vigentes no momento do início da competição , em 13 de agosto. Eventuais medidas serão tomadas para as próximas competições, "definidas após análise e manifestação das áreas jurídica e de saúde".
O Osasco, clube onde Tifanny atua, se disse surpreso com a decisão da CBV à época , e disse avaliar, juntamente com o corpo jurídico, os próximos passos em relação ao tema.
A decisão alinha o vôlei brasileiro às regras do COI e da FIVB (Federação Internacional de Voleibol) . A confederação informou que o objetivo é garantir que os critérios nacionais sejam os mesmos adotados internacionalmente.
A restrição internacional foi aprovada originalmente em setembro de 2025 . O modelo adotado pelo Brasil segue a Política de Proteção da Categoria Feminina do COI, publicada em março de 2026 e já usada na Liga das Nações deste ano.
A comprovação do sexo biológico feminino será feita por testes do gene SRY .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Esporte.