Canadá anuncia medidas de retaliação de US$ 20 bilhões contra sobretaxas dos EUA
As sobretaxas canadenses vão atingir o aço, os produtos lácteos, além de equipamentos agrícolas, a indústria de papel, produtos eletrônicos e eletrodomésticos. As linhas gerais das medidas de retaliação haviam sido anunciadas no sábado pelo primeiro-ministro canadense, Mark Carney , O valor corresponderá, "dólar por dólar", às tarifas americanas impostas ao Canadá desde o último sábado.
O país está "unido em sua resposta" a esse "desafio sem precedentes", declarou nesta terça-feira o ministro das Finanças, François-Philippe Champagne, ao apresentar as medidas durante uma entrevista coletiva que reuniu diversos ministros. Elas passarão a valer à 0h01 de 8 de setembro.
O premiê Mark Carney decidiu na sexta-feira enfrentar Donald Trump. Ele rompeu as negociações comerciais com os Estados Unidos ao considerar "injustas" as condições impostas por Washington.
A aposta pode se mostrar economicamente arriscada. Os Estados Unidos são, de longe, o principal parceiro comercial do Canadá. As exportações canadenses para o país representam 70% do total exportado.
Desde o último sábado, Washington aplica sobretaxas punitivas sobre um total de US$ 20 bilhões em produtos canadenses importados, incluindo cimento, bebidas alcoólicas e tacos de hóquei. Inicialmente previstas para 19 de agosto, essas tarifas americanas haviam sido adiadas por Donald Trump, quando um acordo entre os dois países parecia próximo. No entanto, Carney acabou rompendo as negociações.
Na segunda-feira, o presidente americano elevou ainda mais a tensão ao anunciar que as tarifas sobre o setor automotivo e o aço canadenses subirão para 50% a partir de 1º de janeiro do próximo ano. A maior parte do aço canadense exportado para os Estados Unidos já é taxada em 50%, mas Washington havia sinalizado uma possível redução da alíquota caso houvesse uma trégua comercial.
Donald Trump considera que o Canadá se beneficia há anos da generosidade americana nos campos comercial e militar.
O presidente dos Estados Unidos afirmou na manhã desta terça-feira que também está pensando, "seriamente, em mudar o nome do Lago Ontário para Lago da América". Ele defendeu a iniciativa dizendo que "não pretendemos mais fazer muitos negócios com Ontário", rica província canadense onde o setor automobilístico tem grande relevância.
O governo canadense justificou, entre outros motivos, sua decisão de romper as negociações na sexta-feira pelas exigências de Washington relacionadas à língua francesa. O tema é politicamente sensível em um país oficialmente bilíngue. Segundo Ottawa, o projeto de acordo comercial afetaria subsídios à cultura francófona, a presença de veículos de mídia em francês na internet e a exigência de rotulagem bilíngue para produtos vendidos no Canadá.
"Jamais me meteria nos assuntos dos canadenses francófonos", rebateu Donald Trump nesta terça-feira, negando qualquer interferência. O republicano ainda acusou Mark Carney, em sua rede Truth Social, de mentir para assegurar o apoio da província francófona de Quebec.
Na segunda-feira, o primeiro-ministro canadense reiterou que seu país não aceitará um acordo comercial com Washington "a qualquer preço". "Estamos prontos", afirmou.
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