Diagnósticos de TDAH aumentam ao redor do mundo, diz estudo
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) passou a ocupar mais espaço nas conversas sobre saúde mental nos últimos anos. E essa maior visibilidade também aparece nos números. Diagnósticos e prescrições de medicamentos relacionados ao transtorno cresceram em diferentes faixas etárias e países, segundo uma revisão publicada no Journal of Psychopharmacology.
O trabalho, conduzido por Barbara J. Sahakian e Christelle Langley , da Universidade de Cambridge , reuniu pesquisas recentes para entender melhor esse cenário. Além do aumento dos diagnósticos e do uso de medicamentos, as pesquisadoras analisaram aspectos cognitivos relacionados ao TDAH e o consumo de estimulantes por pessoas que não apresentam o transtorno.
Os dados mostram um avanço considerável na identificação do TDAH entre crianças, adolescentes e adultos. Mas isso não significa, necessariamente, que mais pessoas estejam desenvolvendo o transtorno. Uma das principais hipóteses é que casos que antes passavam despercebidos estejam finalmente sendo reconhecidos.
Durante muito tempo, o TDAH esteve fortemente associado à infância. Hoje, porém, sabe-se que se trata de um transtorno do neurodesenvolvimento que pode acompanhar uma pessoa ao longo da vida.
Os dados do Reino Unido ajudam a dimensionar essa mudança. Entre 2000 e 2018, houve aumento nos diagnósticos em todas as idades avaliadas. Embora as crianças tenham apresentado o maior crescimento em números absolutos, proporcionalmente a mudança chamou bastante atenção entre os adultos.
Entre homens de 18 a 29 anos, por exemplo, o número de diagnósticos tornou-se aproximadamente 20 vezes maior no período, enquanto as prescrições chegaram a quase 50 vezes o registrado anteriormente.
Outra transformação aparece na diferença entre homens e mulheres. Durante a infância e a adolescência, eram identificados aproximadamente quatro meninos para cada menina. Na fase adulta, essa proporção se aproximou de um diagnóstico masculino para cada feminino.
Esse dado ajuda a mostrar como alguns grupos podem ter passado anos sem identificação adequada, especialmente quando seus sintomas não correspondiam à imagem mais conhecida do transtorno.
Não existe uma única resposta. Uma das explicações apontadas pelas autoras é justamente a ampliação do conhecimento sobre o TDAH, tanto entre profissionais quanto na população.
Sintomas como dificuldade para manter a atenção, problemas de organização, impulsividade e alterações nas chamadas funções executivas podem ter acompanhado algumas pessoas durante anos antes de serem associados ao transtorno.
"Houve avanços reais no reconhecimento de um transtorno que historicamente era negligenciado (principalmente em homens e mulheres adultos), uma maior conscientização clínica e talvez também um certo grau de superidentificação em alguns contextos", disseram as autoras da revisão.
Ou seja, os números podem refletir diferentes movimentos acontecendo simultaneamente. De um lado, pessoas que antes não tinham acesso a um diagnóstico passaram a ser identificadas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.terra.com.br — o conteúdo pertence a Terra.