Meta rejeita alegações de que vicia jovens em início de julgamento nos EUA
Meta rejeitou, no início de um julgamento nos EUA, as acusações de que Facebook e Instagram foram desenhados para viciar crianças e adolescentes.
Acusações de 29 estados dos EUA abriram um processo que discute segurança infantil e privacidade nas redes sociais. O julgamento federal ocorre em Oakland, na Califórnia, e deve durar cerca de seis semanas, com participação de estados como Califórnia, Colorado, Nova Jersey e Kentucky.
Representantes dos estados afirmaram ao júri que a empresa teria usado recursos de produto para manter jovens conectados por mais tempo. "O que vocês vão ouvir neste julgamento é como a Meta viciou crianças em suas plataformas. Ela desenhou as plataformas para que as crianças continuassem voltando", disse Megan O'Neill, do Departamento de Justiça da Califórnia, no tribunal.
Estados pedem indenizações bilionárias e mudanças no design dos aplicativos. Entre as medidas citadas na abertura do caso estão encerrar contagens de "curtidas" e o recurso de rolagem infinita, além de alterações em algoritmos e outras funções que estimulam o uso.
Meta disse ao tribunal que discorda das alegações e contestou a leitura feita pelos estados sobre documentos internos. O advogado Paul Schmidt afirmou que a empresa considera engajamento uma métrica legítima do negócio e que medir o tempo e a interação do usuário faz parte de objetivos comerciais.
Defesa também questionou a ideia de "vício" em redes sociais e citou ferramentas criadas para ajudar a controlar o tempo de uso. "Não há como negar que a Meta reconheceu que as pessoas têm dificuldade, ou podem ter dificuldade, com o uso de redes sociais, e criou ferramentas para tentar lidar com isso", disse Schmidt no tribunal.
Além de multas, o caso pode levar a ordens judiciais para mudar recursos centrais dos aplicativos. Os estados já indicaram que vão buscar cerca de US$ 200 bilhões em indenizações, enquanto a Meta afirma que as penalidades totais poderiam chegar a US$ 1,4 trilhão.
Possível exigência de mudanças em algoritmos e no design é vista como o risco mais duradouro para o modelo de negócios. Uma decisão desse tipo poderia afetar a forma como plataformas estimulam o uso e a interação, ponto observado por outras empresas de redes sociais que acompanham o julgamento.
Acusação sustenta que a empresa priorizou lucro em decisões sobre segurança. "A Meta disse que colocou a segurança acima do lucro, mas escondeu a realidade de que, repetidas vezes, quando precisava tomar uma decisão, o lucro venceu", disse O'Neill ao tribunal.
Promotoria também afirmou que a empresa teria minimizado publicamente riscos apontados por pesquisas internas. "Fisgue os usuários; segure-os pelo maior tempo possível; colha os dados deles; esconda a verdade do público ao fazer declarações públicas", disse O'Neill, ao resumir o que chamou de lógica do negócio.
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