Portugal enfrenta alta recorde nos aluguéis e discute pacote para conter crise habitacional
Os aluguéis em Portugal voltaram a subir em julho, com o valor médio por metro quadrado 5,3% maior do que no mesmo período de 2025. No mês anterior, a variação para cima tinha ficado em 5,2%. Estes aumentos mostram que a pressão no mercado das casas para alugar se mantém elevada, num contexto de oferta escassa e procura forte, sobretudo nas grandes cidades e regiões turísticas. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), todas as regiões do país registaram aumentos.
A tendência não é exatamente um problema recente. Há 5 anos, o preço médio no país era de € 10,7 por metro quadrado. Agora está em € 17,7. Uma elevação de 65% de 2021 para cá, sendo que a inflação geral acumulada no período ronda os 20%. No intervalo de dez anos, o valor dos aluguéis mais do que dobrou - só na época da pandemia que deu uma estabilizada, mas a partir de meados de 2021 voltou a subir.
Apesar do preço alto, as casas e apartamentos que são colocados no mercado para alugar recebem muitas propostas. No site Idealista, o maior de Portugal no ramo, 7% das unidades para aluguel não ficam nem 24 horas no ar. Essa corrida acontece porque a procura continua alta enquanto a oferta de novas casas para alugar até caiu. Segundo o Idealista, foram anunciadas 22% a menos de imóveis no segundo trimestre de 2026, em relação a 2025.
Para muitas famílias, as contas não fecham, sobretudo nas grandes cidades. O salário mínimo em Portugal é de € 920 (cerca de R$ 5.500) e, com esse valor em Lisboa, o máximo que dá para alugar é um apartamento de um quarto, com menos de 60 m². Muitos jovens continuam morando com os pais por mais tempo do que gostariam, já que não conseguem pagar um aluguel.
O alto preço é intensificado pela gentrificação, quando comércios locais e tradicionais de bairros populares dão lugar a estabelecimentos mais sofisticados, como cafés, galerias de arte, lojas de grife e restaurantes gourmet. O fenômeno atrai uma população de maior poder aquisitivo e empurra aos poucos os moradores mais pobres para longe das zonas centrais. Esse é um movimento comum em quase toda a Europa , mas em Portugal é mais importante porque a população é pouco distribuída pelo território e os salários são baixos, tornando difícil para os trabalhadores competir com os valores de aluguéis de curta temporada para turistas.
Embora seja um problema para todo mundo que busca habitação, para os imigrantes a situação costuma ser ainda mais complicada , porque é mais difícil ter fiador, ou cumprir outras exigências dos proprietários, como comprovar estabilidade no emprego ou mostrar que pagava aluguel em dia anteriormente. Várias famílias acabam compartilhando um mesmo apartamento, para dividirem os custos. E há quem prefira comprar trailers e viver como se fosse em um acampamento permanente para não gastar praticamente tudo o que ganha na moradia.
Em resposta ao problema, o governo quer alterar algumas das regras do aluguel de imóveis. O pacote original de medidas, que ainda precisam ser discutidas no Parlamento, prevê que os proprietários possam exigir três meses de pagamentos adiantados (em vez dos atuais dois), acaba com o teto para pedido caução, e facilita os despejos.
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