Estudo aponta que bactérias e fungos sobrevivem na Lua
Cinco microrganismos terrestres comuns sobrevivem na Lua.
Estudo publicado na quarta (19) na Science Advances aponta que as bactérias Bacillus, Deinococcus e Staphylococcus e os fungos Aspergillus e Fusarium resistem a temperaturas e radiação UV extremas, mas não se multiplicam no satélite.
O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Nasa, das universidades de Maryland e Católica da América, ambas nos Estados Unidos, e do Instituto Nacional de Astrofísica do Observatório de Turim, na Itália.
Os modelos indicam os polos lunares como áreas de sobrevivência potencial no caso do Aspergillus, células seriam viáveis por até sete dias.
Com menos radiação cósmica, essas regiões seriam menos desfavoráveis à sobrevivência e possivelmente à proliferação, ainda não comprovada.
O líder do estudo, Prabal Saxena, disse que outros trabalhos já indicavam a viabilidade de células orgânicas em áreas lunares permanentemente sombreadas.
“O diferencial é que conseguimos demonstrar, na escala de tempo examinada, a sobrevivência em um número significativo de áreas fora das regiões sombreadas por todos os polos”, afirmou ele, que atua no Centro Goddard da Nasa.
“Devido à expansão de áreas e ao período durante o qual diferentes microrganismos puderam sobreviver, devemos repensar a Lua do ponto de vista da astrobiologia.
Ela não é Marte, mas é mais interessante do que se acreditava.” A pesquisa é a primeira a comparar diferentes topografias lunares e a ocorrência de microrganismos relativamente comuns no contato com seres humanos, mesmo em missões espaciais controladas.
Com dados de temperatura e radiação UV do instrumento Diviner, da sonda LRO (sigla em inglês para orbitador de reconhecimento lunar), os pesquisadores estimaram a sobrevivência no polo sul lunar.
Os parâmetros vieram de estudos laboratoriais em condições extremas de temperatura, radiação e pressão.
Os modelos identificaram áreas potencialmente favoráveis à existência de todos os cinco microrganismos nos dois polos, e o fungo Aspergillus é o que se mostrou mais resistente.
“O Aspergillus forma esporos com paredes espessas e pigmentos escuros que o protegem dos raios X, da radiação cósmica e dos raios UVC.
Ele também consegue manter uma atividade metabólica muito baixa, o que o torna um bom candidato à resistência”, diz o cientista.
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