Desenvolvimento Verde China América Latina
A crise ecológica contemporânea e as possibilidades de construção da sustentabilidade constituem o tema central da obra Desenvolvimento Verde China América Latina , organizada por Guo Cunhai e Márcio Pochmann.
Publicado em 2026 pela Chaohua Publishing House, o livro reúne pesquisadores chineses e latino americanos em torno de uma agenda que articula desenvolvimento, sustentabilidade, inovação tecnológica, transição energética e cooperação entre países do Sul Global.
No caso em tela, a América Latina possui recursos naturais estratégicos, biodiversidade e expressiva capacidade de geração de energia limpa, enquanto a China acumulou capacidades industriais, tecnológicas e financeiras decisivas para a transição verde.
Após a acelerada industrialização e suas profundas contradições ambientais, a China vem promovendo uma transformação de seu modelo de desenvolvimento, cada vez mais ancorado na restauração ambiental e na sustentabilidade.
A experiência chinesa é particularmente interessante por procurar superar a falsa dicotomia entre crescimento econômico e preservação ambiental, sem recorrer necessariamente ao decréscimo econômico ou à contenção das forças produtivas como resposta à crise ecológica.
Em seu lugar, a categoria de Civilização Ecológica procura incorporar a sustentabilidade ao próprio processo de modernização, mobilizando planejamento estatal, inovação tecnológica, economia circular e reorganização das cadeias produtivas.
Nesse paradigma, em lugar de serem concebidos como categorias antagônicas, desenvolvimento e sustentabilidade passam a ser compreendidos como dimensões articuladas, de modo que a expansão das capacidades produtivas, tecnológicas e estatais contribua para criar as condições materiais e institucionais necessárias à sustentabilidade.
É nesse ponto que a obra organizada por Guo e Pochmann adquire especial relevância e originalidade.
Mais do que apresentar a China como fornecedora de tecnologias verdes ou como investidora em projetos ambientais na América Latina, o livro permite compreender a cooperação verde como desdobramento de uma transformação mais ampla no próprio paradigma de desenvolvimento.
A experiência chinesa aparece como uma possibilidade histórica de combinação entre prosperidade material, sustentabilidade e justiça social, sem pressupor que os países periféricos devam interromper sua industrialização para responder à crise ambiental.
Ao mesmo tempo, a obra não se limita a uma narrativa celebratória.
Seus diferentes capítulos permitem identificar desafios relacionados à governança, à transferência tecnológica, ao financiamento, à soberania sobre recursos estratégicos e à construção de uma transição ambientalmente sustentável e socialmente justa.
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