'Maldição da múmia': estudo revela risco biológico na venda de restos mortais
Múmias: estudo encontrou indícios de crescimento microbiano em restos mumificados anunciados para venda na internet (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
A chamada " maldição da múmia " pode ter uma explicação menos sobrenatural do que sugere a cultura popular. Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Staffordshire encontrou indícios de possível crescimento microbiano em restos mumificados humanos e animais anunciados para venda na internet, levantando preocupações sobre riscos à saúde de vendedores, compradores e até de trabalhadores envolvidos no transporte desses materiais.
Publicada no início deste mês no International Journal of Cultural Property , a pesquisa também identificou falhas no envio postal e no manuseio dos restos mortais , indicando que muitos deles circulam sem informações sobre biossegurança ou cuidados adequados.
Embora nem todos os restos analisados apresentassem sinais aparentes de deterioração ou crescimento de fungos , os pesquisadores alertam que a colonização microbiana nem sempre pode ser identificada visualmente. Isso significa que uma múmia aparentemente bem preservada ainda pode abrigar microrganismos potencialmente perigosos.
Além do risco biológico , os autores destacam que muitos restos mumificados podem conter substâncias tóxicas utilizadas historicamente durante os processos de embalsamamento, como arsênio, mercúrio e chumbo.
Outro ponto que chamou a atenção dos pesquisadores foi o envio de restos mumificados pelos serviços postais . O estudo identificou casos em que peças humanas foram enviadas internacionalmente pelos correios, apesar de empresas de transporte proibirem esse tipo de material.
Segundo os autores, essa prática pode expor entregadores, funcionários da alfândega e outras pessoas envolvidas na logística a riscos biológicos e químicos.
Para a pesquisadora Kirsty Squires, da Universidade de Staffordshire e autora principal do estudo, a popularização da internet e das redes sociais ampliou o comércio internacional de patrimônio arqueológico , incluindo restos humanos e animais mumificados.
Ela afirma que muitos vendedores parecem desconhecer os riscos envolvidos ou simplesmente não fornecem informações de segurança aos compradores.
Os pesquisadores lembram que a associação entre múmias e problemas de saúde não é nova. Um dos exemplos citados é a abertura do túmulo do r ei Casimiro IV , na Polônia, na década de 1970. Segundo os autores, 10 dos 10 especialistas envolvidos morreram posteriormente após desenvolver infecções atribuídas à exposição a esporos do fungo Aspergillus .
Outro caso frequentemente mencionado envolve Lord Carnarvon , patrocinador da expedição que descobriu a tumba de Tutancâmon em 1922.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em exame.com — o conteúdo pertence a Exame.