O adorador do profeta e o homem de mão (por Pedro Costa)
Há um enorme erro no funcionamento do sistema eleitoral.
Nós já o enfrentamos antes, com consequências desastrosas, e não estamos sós neste desafio: ele tem acontecido mundo afora, nos últimos tempos, mas não é um fenômeno novo.
O espantoso é como as democracias estão mal preparadas para lidar com ele.
Falo, é claro, da participação de grupos que pretendem destruir a democracia e, portanto, não sentem a menor obrigação de seguir seus princípios, a começar pela competição de ideias, com igualdade de condições econômicas e sociais.
Um aspecto lateral, infelizmente assimilado como normal, é o uso de recursos públicos para desequilibrar as condições materiais da disputa eleitoral, com as gigantescas reservas de verbas destinadas aos partidos nos fundos partidário e eleitoral, o que teoricamente deveria resultar no crescimento exponencial dos partidos mais bem sucedidos.
Este status quo fisiológico é uma abominação.
Abominação que vira filme de terror quando se sabe que o maior percentual das verbas não reservadas (por impositivos constitucionais ou legais) é aplicada, não pelo executivo, mas como benesse pessoal de cada vigarista no Legislativo, com emendas secretas ou ostensivas, escondidas das contas públicas, mas publicizadas nas campanhas eleitorais.
O Ministro Dino, que tenta encontrar os fios das meadas, precisa apenas mandar acompanhar os comícios e a publicidade nos municípios, pois certamente elas serão reveladas em prosa e verso.
Urggh! Mas esse não é o problema mais grave.
Seus usuários querem apenas a continuidade da bandalha, para o que se aliarão com o Diabo e até … com outro Diabo, nunca com Deus, embora usem e abusem de Seu nome em vão.
O mais grave são os que querem implantar o fascismo, em suas inumeráveis variantes.
E eles não se escondem, até, pelo contrário, divulgam seu desejo autoritário.
É claro que seguem a velha cartilha de não se incomodarem de dizer uma coisa e o seu contrário na mesma frase, seguindo o professor Adolf Hitler.
Nos dias em que engabelou o mundo com o acordo de Munique, Herr Adolf, conversando com um dos que tentavam a paz e ouvindo que havia quem desconfiasse de suas promessas, se espantou: “E alguma vez eu disse uma mentira?” A única arma que a democracia tem para enfrentar em igualdade de condições o seu necessário e constante processo de renovação pelo voto é a recusa de que dele participe quem tem a intenção de destruí-la.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.metropoles.com — o conteúdo pertence a Metrópoles.