Irã acusa EUA de ‘terrorismo de Estado’ por novas sanções econômicas
O governo do Irã acusou os Estados Unidos nesta sexta-feira (28) de promoverem “terrorismo de Estado” por meio das novas sanções econômicas impostas ao país . Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores iraniano classificou as medidas como “ilegais e repreensíveis” e pediu que a comunidade internacional, incluindo organismos da ONU, reaja à política adotada pelo governo de Donald Trump.
Segundo a chancelaria, Teerã pretende mobilizar todos os recursos disponíveis para responder ao que chamou de um “ataque militar e econômico combinado dos EUA e de Israel” .
“A guerra econômica dos EUA é uma ‘ferramenta impiedosa’ projetada para infligir dor e sofrimento à população do Irã. As sanções colocam em sério risco a saúde e os meios de subsistência de milhões de civis” , afirma a nota.
O comunicado foi divulgado poucos dias depois de Washington anunciar uma nova etapa da campanha de pressão econômica contra o país. Na segunda-feira (24), o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, apresentou medidas destinadas a aprofundar o isolamento financeiro iraniano e prometeu promover uma “asfixia econômica” do país .
Os Estados Unidos também ameaçaram adotar medidas contra países que se recusarem a participar da ofensiva econômica.
O chefe de gabinete do presidente iraniano, Mohsen Haji-Mirzaei, afirmou que o governo estuda alterar as cotas de combustível. “O que é certo é que as cotas serão reduzidas sem alterar o preço, mas quem quiser comprar mais gasolina da cota terá um preço mais alto” , disse à televisão estatal.
Embora o governo sustente que o Irã acumulou experiência para enfrentar sanções após décadas de restrições internacionais, parte da população demonstra preocupação com o impacto das novas medidas .
“É lógico que as sanções afetem a vida das pessoas. Há pessoas sofrendo, tanto as que têm uma boa situação econômica quanto as que têm menos recursos” , afirmou à AFP um corretor de imóveis ouvido em Teerã.
A nova rodada de sanções chega em um momento em que a economia iraniana já enfrenta inflação elevada e perda de poder de compra . A deterioração das condições econômicas esteve entre os fatores que alimentaram protestos contra o governo no início de 2026.
O ministro da Economia do Irã, Ali Madanizadeh, afirmou anteriormente que o país vinha se preparando para novas medidas americanas. Segundo ele, os Estados Unidos “fracassaram em todas as ocasiões” e agora parecem buscar “uma nova derrota” . As tensões econômicas também ocorrem em meio à paralisação das negociações para encerrar a guerra. Quase seis meses após o início do conflito, não há perspectiva imediata de acordo.
O Irã mantém fechado o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas de petróleo do mundo , enquanto os Estados Unidos sustentam um bloqueio naval contra a República Islâmica.
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