Bocalom defende tarifa zero e diz que transporte coletivo está “muito melhor”
O candidato ao Governo do Acre, Tião Bocalom (PSDB), foi sabatinado pelo ac24horas nesta quinta-feira (27), em Rio Branco, e falou sobre propostas para a mobilidade urbana e o transporte coletivo na capital.
Questionado sobre as condições em que deixou a Prefeitura de Rio Branco e sobre a situação do transporte público, Bocalom afirmou que o sistema apresentou avanços durante sua gestão e rebateu críticas de que teria deixado um cenário de caos.“Caos estava quando eu peguei os ônibus, com as portas caindo. Cobravam R$ 4 por uma passagem e o óleo diesel custava R$ 3,60. Hoje, o óleo diesel custa mais de R$ 8 e a passagem custa R$ 3,50.”
Durante a entrevista, o candidato voltou a defender a possibilidade de implantação da tarifa zero no transporte coletivo, condicionando a medida à criação de um plano nacional de mobilidade urbana.
Segundo Bocalom, ele participou de discussões em Brasília sobre a proposta e afirmou que a ideia é dividir os custos do transporte entre os diferentes entes públicos.
“É possível, sim, chegar a zero. Mas não vai ser só Rio Branco, não, só o Acre. É o Brasil inteiro que está com essa proposta.”
Na avaliação do candidato, despesas relacionadas ao transporte de estudantes estaduais e federais, além de outras gratuidades previstas em legislação, deveriam ser assumidas pelos respectivos governos.
Bocalom afirmou ainda que a Prefeitura de Rio Branco atualmente arca com mais de 60% do custo da passagem.“Se o governo do Estado repassasse todos os meses a passagem dos alunos do Estado, eu repassaria mais de R$ 1 milhão todos os meses.”
Questionado sobre a possibilidade de a tarifa zero ser associada a uma proposta de esquerda, Bocalom rejeitou a classificação e afirmou que a medida estaria relacionada ao direito de mobilidade da população.“Não, não é de esquerda. É um direito das pessoas de poder ir e vir. Quando você não dá essa condição, você limita a mobilidade.”
O candidato também citou modelos de planejamento urbano que priorizam a proximidade entre moradia, trabalho e serviços como uma tendência para as cidades do futuro.
Apesar de defender os resultados de sua administração, Bocalom reconheceu que o transporte coletivo de Rio Branco ainda enfrenta problemas.“Não está bom, é claro. Eu reconheço que não está bom. Mas está muito melhor do que eu peguei. Só não vê quem não quer.”
Bocalom também afirmou que deixou encaminhado um convênio de R$ 69 milhões, com juros considerados baixos, para financiar a aquisição de novos ônibus para o sistema de transporte coletivo.
Segundo ele, a burocracia e os processos licitatórios dificultam a renovação da frota e a contratação de empresas para operar o serviço.“Eu deixei um convênio já firmado de financiamento, com juros baratos, de R$ 69 milhões para comprar ônibus novos.”
O candidato afirmou ainda que uma nova empresa deverá assumir parte da operação do transporte coletivo da capital e que o processo já vinha sendo preparado desde sua gestão.
Segundo Bocalom, a empresa já estaria com 60 ônibus novos em produção em São Paulo.
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