Brasil pode entrar em “recessão muito grave” se dinâmica econômica continuar, diz chairman da Abril
O Brasil pode entrar em uma “recessão muito grave” caso a atual dinâmica econômica se mantenha nos próximos quatro anos, afirmou Fabio Carvalho, chairman e publisher da Abril.
A fala foi proferida durante a cerimônia premiação do prêmio VEJA NEGÓCIOS TOP30 nesta segunda-feira, 24.
Durante discurso, Carvalho avaliou que o próximo presidente da República terá dois grandes imperativos: enfrentar a situação econômica doméstica e definir a posição do país diante das mudanças geopolíticas e tecnológicas no mundo.
Segundo Carvalho, o cenário econômico é marcado por uma sequência de crises empresariais e por um ciclo de juros elevados que, em sua avaliação, não foi acompanhado pelo processo esperado de desaceleração do consumo.
Ele atribuiu parte desse quadro ao aumento dos gastos públicos.
“Então, quando a gente olha mais quatro anos para frente, se essa for a dinâmica, realmente vai ficar… O Brasil está numa situação de recessão muito grave”, afirmou.
Continua após a publicidade Para Carvalho, o próximo governo terá de lidar com o controle da inflação como um dos principais desafios.
Ele avaliou que a política monetária continuará condicionada à dinâmica inflacionária e defendeu que o próximo presidente dê atenção às condições necessárias para controlar os preços.
O segundo grande desafio, segundo o publisher da Abril, está relacionado ao cenário internacional.
Carvalho afirmou que o mundo caminha novamente para uma organização bipolar, não apenas sob a ótica militar e geopolítica, mas também em torno do desenvolvimento tecnológico, especialmente da inteligência artificial.
Continua após a publicidade Na avaliação dele, dois grandes blocos estão se consolidando: um liderado pela China e outro pelos Estados Unidos.
Nesse contexto, Carvalho disse que o Brasil precisará definir como se posicionar para garantir acesso à tecnologia.
“O crescimento econômico do Brasil depende disso”, afirmou.
Continua após a publicidade Carvalho ressaltou que o país não necessariamente precisa desenvolver sua própria tecnologia de inteligência artificial, mas deve assegurar que cidadãos e empresas brasileiras tenham acesso a essas ferramentas.
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