Do INSS ao Master, Flávio voou no jato de Vorcaro com escândalos na mala
Com pesquisas de monitoramento na mão e uma ideia (ruim) na cabeça, Flávio Bolsonaro tentou matar dois coelhos numa só cajadada de postagens ao jogar dois elementos tóxicos no colo do principal adversário durante a semana.
Flávio começou a semana vibrando com a notícia (e as imagens) do desembarque de Alexandre de Moraes e a esposa, a advogada Viviane Barci, de uma aeronave ligada ao banqueiro. Era a senha que ele queria para dizer que Moraes é Lula e Lula é Moraes.
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Dias depois, a revelação de que um advogado articulou um encontro entre Vorcaro e o presidente levou o Zero Um a soltar o rojão nos stories. "Lula é Vorcaro!", escreveu.
Qualquer um que ouvisse a mensagem do advogado perceberia que o desafio, para Vorcaro, era preencher as formalidades, se apresentar (por e-mail, a pedido do defensor), adiantar o assunto, e convencer o chefe do Executivo, com quem não tinha intimidade, a recebê-lo. Bem diferente da conversa de compadres que o próprio Flávio, em linha direta e sem interlocução, mantinha com o mesmo Vorcaro.
O Zero Um soltou essa e passou o dia em outra frente: convencer as famílias endividadas de que a culpa pelo rombo no orçamento era do Lula.
Flávio, que se negou a mexer no vespeiro das bets durante toda a campanha, elegeu o jogo do Tigrinho, regulamentado no atual governo, como o grande poço sem fundo das finanças do brasileiro de bem. O portal das apostas esportivas de quotas fixas, as chamadas bets, foi aberto em 2018, por Michel Temer, mantido no governo Bolsonaro e segue operando com ajuda de aliados peso pesados no Congresso.
Flávio só não tinha contado uma parte meio importante da história, e ela acaba de ser revelada pela revista "piauí": o candidato do PL usou o mesmo avião de Vorcaro citado por ele no ataque a Moraes . Sim, o mesmo.
A carona foi oferecida em uma viagem da Florida para Brasília em 2025, mesmo ano em que manteve conversas e encontros com o banqueiro para acertar os patrocínios velados ao filme "Dark Horse".
No mesmo voo estava o amigo e parceiro de safari Willer Tomaz, que já foi preso no escândalo da JBS e é investigado no esquema de desvios bilionários do INSS.
Tomaz é o advogado que indicava profissionais para o escritório de Flávio e que incluiu no nome de uma diarista a propriedade de bens e empresas ligadas a ele, como revelaram os repórteres Alice Maciel e Paulo Motoryn no ICL Notícias. Entre as propriedades está uma mansão em Angra dos Reis (RJ) em disputa com o jogador Richarlisson.
Tomaz, até outro dia, estava à frente dos negócios da RioPag, empresa responsável pelos pagamentos das apostas online credenciadas no Rio pelo governo Cláudio Castro - aliado dos Bolsonaro e responsável pelos maiores aportes ao Banco Master de Vorcaro.
A carona levou o Zero Um a fazer um pouso forçado na estratégia de campanha. Ele conseguiu gabaritar, em um mesmo voo, todos os escândalos do qual tentava despistar e jogar no colo do rival.
A artilharia deu razão para a pecha de Pinóquio que a campanha petista tenta colar nele desde o início da disputa.
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