O tema recorrente no Festival de Cinema de Gramado de 2026
Poucos temas atravessaram a programação do Festival de Cinema de Gramado em 2026 com tanta insistência quanto a violência contra a mulher.
Em filmes de gêneros e propostas diferentes, o abuso aparece de maneiras distintas: como violência sexual, feminicídio, dependência emocional e relações domésticas marcadas pelo controle e pela agressividade.
O resultado é um retrato multifacetado de um problema que o cinema brasileiro tem transformado em matéria de debate público.
A recorrência já se manifestou na abertura do festival, com Antártida , de Bruno Safadi, exibido fora de competição.
A trama acompanha Inês, personagem interpretada por Marina Ruy Barbosa , cuja trajetória é atravessada por uma situação de abuso sexual em uma base de estudo no meio de uma região gelada e inóspita.
Após o ocorrido, todos os homens da base se tornam suspeitos e cabe à subcomandante Elisabeth (Andréa Beltrão).
A violência, nesse caso, funciona como elemento central para compreender as marcas deixadas sobre a personagem e os efeitos de uma experiência que ultrapassa o episódio em si.
Na competição, Continua após a publicidade Pele de Rinoceronte , de Marcello Ludwig Maia, levou ao cinema um dos crimes mais emblemáticos da história brasileira: o assassinato de Ângela Diniz .
Ambientado nos anos 1970, o longa acompanha uma repórter de jornal popular (Débora Falabella) e uma advogada criminalista (Naruna Costa) diante de um homicídio que chocou o país e ajudou a impulsionar o debate sobre o feminicídio.
A escolha do episódio coloca em perspectiva não apenas o crime, mas também a maneira como a sociedade brasileira passou a discutir a violência contra as mulheres.
A violência também surge de forma menos explícita, mas igualmente corrosiva, em outros títulos.
Chorão – Só os Loucos Sabem , de Hugo Prata e Felipe Novaes, dramatiza a vida do vocalista do Charlie Brown Jr. (José Loreto) e de sua esposa, Graziela (Nanda Marques), e explora, entre outros conflitos afetivos, a dependência emocional presente em relações marcadas por desequilíbrios.
A abordagem desloca o foco da violência física para mecanismos de vínculo e fragilidade que podem aprisionar os envolvidos.
Continua após a publicidade Em Leite em Pó , dirigido por Carlos Segundo, a discussão aparece no ambiente doméstico.
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