Octavio Malta, a medida alta do jornalismo brasileiro
A história do jornalismo brasileiro reservou a Octavio Malta um espaço muito menor do que sua obra exige.
Seu nome atravessa memórias de escritores, políticos, repórteres e homens públicos do século XX, mas raramente ocupa o centro da narrativa sobre a imprensa de sua época.
Quanto mais leio seus textos e procuro seus rastros nos arquivos, mais cresce em mim uma convicção de jornalista e professor: estamos diante de um dos grandes profissionais de sua geração, integrante daquele grupo mínimo que ajudou a definir o próprio ofício.
Foi essa sensação que me acompanhou durante a leitura de Octavio Malta: jornalismo de combate, organizado por seu filho, Dácio Malta, para assinalar os 120 anos do nascimento do pai.
O livro reúne artigos, perfis, fotografias e lembranças que recompõem seis décadas de vida profissional e, por extensão, um longo trecho da história brasileira.
Biografia e país caminham juntos porque Malta trabalhou perto dos acontecimentos, conheceu muitos de seus protagonistas e escreveu enquanto os fatos ainda carregavam a incerteza e o risco do próprio tempo.
O jornalista por inteiro Octavio Malta nasceu em 13 de fevereiro de 1902, em Nossa Senhora do Ó, então distrito de Nazaré, em Pernambuco.
Aos 17 anos, começou como revisor no Diário de Pernambuco e, pouco depois, passou à redação.
Para quem ensina jornalismo, esse início possui significado especial.
A revisão obriga o jovem profissional a compreender cedo que uma palavra deslocada compromete uma frase, uma informação mal apresentada confunde o leitor e escrever bem começa muito antes do desejo de produzir uma bela página.
Aos 23 anos, ele e Osório Borba aprenderam uma lição menos técnica e bem mais áspera.
Os dois criticavam o governador Sérgio Loreto, que passou a exigir a saída deles dos jornais pernambucanos.
Acabaram deixando Recife.
A experiência ensinou cedo a Malta que a palavra publicada podia produzir consequências muito concretas para quem a assinava.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.