‘É preciso fazer a lição de casa’; o recado dos maiores banqueiros do país
O cenário de crédito piorou de forma expressiva no Brasil nos últimos meses, em meio a uma Selic , a taxa básica de juros, ainda nas alturas, a 14%. Com a piora dos índices de inadimplência, os bancos precisaram pisar no freio e aumentar suas provisões, dinheiro reservado para cobrir calotes, para se prepararem.
Não por acaso, o tema ganhou bastante destaque no Febraban Tech , evento que reúne os principais bancos do país.
O painel contou com a presença de Milton Maluhy, do Itaú ( ITUB4 ), Marcelo Noronha, do Bradesco ( BBDC4 ), Roberto Sallouti, do BTG ( BPAC11 ), Carlos Vieira, da Caixa , e dos estreantes Gilson Finkelsztain, que assumiu o Santande r ( SANB11 ) recentemente, e Livia Chanes, do Nubank ( NU ), que se filiou à Febraban Tech após fazer as pazes com a instituição.
Nas falas, o ‘dever de casa’ se repetiu entre pelo menos três CEOs, entre eles Maluhy, do Itaú. Para ele, o Brasil não controla o cenário externo: guerras, petróleo, juros nos Estados Unidos. Ao país, resta deixar a casa em ordem, o que significa evitar as contas públicas explodirem.
“O social e o fiscal andam de mãos dadas. Se você quer ter uma agenda social importante, você precisa prosperar economicamente. Não tem agenda social melhor do que geração de emprego, prosperidade, inflação controlada. A inflação é o pior imposto para as famílias.”
Ainda segundo o CEO, a trajetória da dívida nesse ritmo é insustentável. A dívida bruta do Governo Geral do Brasil atingiu R$ 10,8 trilhões em junho, o que corresponde a 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB).
“A gente tem que parar de falar de superávit primário e déficit primário e falar de déficit nominal. Essa conta no longo prazo é muito complexa. Não tem nenhuma economia que resista a juros reais nos níveis que a gente está vivendo no longo prazo”, afirmou Maluhy.
Noronha vai pelo mesmo caminho ao dizer que não há outra saída: é preciso equilíbrio fiscal e uma estabilização da dívida para que ela não suba nessa proporção em relação ao PIB.
“O Brasil tem saída e a gente precisa colocar o nosso país com uma trajetória de crescimento perene, ainda que seja o primário, para que a gente equilibre o crescimento dessa dívida.”
Sallouti lembra ainda que o mundo geopolítico que conhecíamos desde o início da década de 1990 “não existe mais”.
“Então, é um mundo polarizado, conflituoso. O nível de taxa de juros que a gente conhece desde 2008 e 2009 não existe mais, especialmente pelos excessos fiscais globais.”
Novamente, o CEO do BTG deixa claro que, se “nós não fizermos a nossa lição de casa, a gente vai ficar num lugar não favorável perante o resto do mundo”.
“Olha o que está acontecendo com o mercado da Coreia e de Taiwan e olha o que está acontecendo com o mercado do Brasil. Então, nós temos que fazer a nossa parte.”
Outra palavra bastante citada pelos CEOs foi produtividade. Para Sallouti, não é possível que o Brasil conte somente com o crescimento populacional para aumentar seu potencial de crescimento.
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