PETR4, VBBR3 e UGPA3: Juros e custos apertam balanços, mas empresa desafiam o cenário adverso, diz BB Investimentos
A temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 trouxe um retrato de empresas operacionalmente resilientes, mas pressionadas pelo aumento dos custos e pelo peso crescente das despesas financeiras.
Segundo relatório do BB Investimentos sobre emissores de crédito , a combinação entre inflação, juros elevados e maior endividamento reduziu a rentabilidade em diversos setores, mesmo em companhias que registraram crescimento de receita e EBITDA.
O cenário foi marcado por uma maior dispersão de resultados entre os segmentos analisados.
Enquanto empresas ligadas à distribuição de combustíveis, transporte, logística e mercado imobiliário apresentaram desempenho robusto, setores intensivos em capital e com dívidas indexadas à inflação sofreram forte impacto na última linha dos balanços.
Nos segmentos regulados, como energia elétrica e saneamento, a expansão operacional continuou sendo sustentada pela maturação de investimentos e por reajustes tarifários.
Ainda assim, o avanço das despesas financeiras corroeu parte importante dos ganhos.
Taesa, Isa Energia e Neoenergia, por exemplo, registraram quedas superiores a 30% no lucro líquido em razão do peso da dívida indexada ao IPCA.
No saneamento, a Sabesp teve compressão de margens diante de custos crescendo acima das receitas, enquanto a Sanepar amargou prejuízo contábil após reconhecer provisões regulatórias próximas de R$ 1 bilhão relacionadas a uma decisão sobre precatórios.
No mercado de crédito privado, o trimestre foi marcado pela continuidade do ajuste dos spreads, ainda que com certa estabilização a partir de maio.
Segundo o BB Investimentos, a capacidade das empresas de repassar custos, sustentar margens e preservar cobertura de juros passou a ser um fator determinante para a percepção de risco dos investidores.
O relatório conclui que, apesar da elevação gradual da alavancagem em vários setores, a maior parte das companhias ainda mantém níveis considerados administráveis, sustentados por disciplina de investimentos, foco na geração de caixa e, em alguns casos, programas de desinvestimentos voltados à redução do endividamento.
Energia cresce, mas lucro encolhe O setor elétrico seguiu beneficiado pela expansão da base de ativos, especialmente em transmissão.
A Taesa (TAEE11) manteve margem EBITDA elevada, de 85%, apoiada pela maturação de projetos e reajustes inflacionários.
Ainda assim, o lucro líquido regulatório recuou cerca de 30%.
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