Retrofits no Centro de SP: baixa produção de moradia social leva prefeitura a ampliar incentivo
Edifício Romã, no Largo do Arouche, antes e depois de passar por retrofit com incentivo da Prefeitura de São Paulo Divulgação/PMSP Os programas municipais de estímulo à requalificação de edifícios ociosos do Centro de São Paulo por meio de retrofits tiveram poucos avanços na produção de moradia para a população de baixa renda.
Das cerca de 5,2 mil unidades licenciadas pela prefeitura com incentivos fiscais ou financeiros, apenas 410 são habitações sociais – cerca de 7,8%.
Nesta quinta-feira (13), a prefeitura lançou um novo edital do programa de subvenção econômica voltado a incentivar a requalificação de prédios antigos da região pelo setor imobiliário.
Ao todo serão disponibilizados R$ 200 milhões, sendo que cada projeto pode receber apoio de até 25% do valor da obra.
A novidade é que, a partir de agora, o benefício poderá ser utilizado em uma área muito maior quando o empreendimento for destinado a habitação popular.
Se antes o perímetro do programa estava restrito aos distritos da Sé, República e parte do Brás, agora ele abrange todo o território do Centro — uma área de 2.780 hectares que passou a incluir Bom Retiro, Pari, Bela Vista, Santa Cecília e Liberdade. 🔎Retrofit é o processo de modernização de um edifício para adequá-lo a novos padrões de uso, segurança, acessibilidade e eficiência energética, preservando total ou parcialmente sua estrutura original.
Diferentemente de uma demolição seguida de reconstrução, o retrofit reaproveita a edificação já existente.
Prefeitura divulgou resultado de 3ª rodada de recursos para retrofit de prédios no centro de SP em 2025 Na cerimônia de lançamento do novo edital, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) reconheceu que a prefeitura precisou ajustar as regras após constatar baixa adesão de empreendimentos voltados à baixa renda nos primeiros anos do programa.
"A gente está com iniciativas muito inovadoras, e elas vão se adequando no decorrer da realização.
O que a gente percebeu é que era necessário ampliar o perímetro da subvenção", afirmou o prefeito.
Perto de completar três anos, o programa prevê investimento total de R$ 1 bilhão, com reserva de 60% dos recursos para apoiar a produção de Habitação de Interesse Social (HIS), categoria destinada a famílias com renda de até seis salários mínimos.
Apesar da reserva orçamentária, dados da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (Smul) indicam que o mercado imobiliário tem priorizado projetos voltados às rendas média e alta.
Em entrevista coletiva, Nunes admitiu que gostaria de ver uma maior participação de retrofits para atender a população mais pobre, mas defendeu que a recuperação dos edifícios degradados também é um objetivo relevante da política pública.
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