O que Roraima tem a ver com o Rio de Janeiro, além de dois governos tampões nas mãos do STF?
Decisão sobre governos tampões em Roraima e Rio de Janeiro está nas mãos do STF (Imagem: Reprodução) Pelo desenrolar dos últimos fatos, o Supremo Tribunal Federal (STF) dá todos os sinais de que está fazendo corpo mole para não decidir tão cedo sobre os mandatos tampões do Rio de Janeiro e Roraima.
O julgamento que iria decidir a situação do governo carioca, que ocorreria na tarde de hoje, foi retirado de pauta na sessão de ontem.
No Rio, o STF está analisando o modelo da eleição para o mandato tampão, se a escolha deve ser direta, pelo voto popular, ou por votação indireta, pela Assembleia Legislativa.
Enquanto não decide, o RJ é governado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, que deve permanecer até a decisão final do STF.
O caso de Roraima chegou a avançar um pouco mais ao ter sido realizada a eleição suplementar, mas sem que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) pudesse anunciar a proclamação do resultado, em que o candidato com maior votação, o ex-prefeito Arthur Henrique (60,87% dos votos), concorreu sub judice, o que precisa da decisão final do STF sobre a legalidade de sua candidatura.
Porém, sua votação ultrapassou 50% do total da votação, criando um impasse extra.
Enquanto no RJ segue o governador tampão, o desembargador presidente do Tribunal de Justiça, em Roraima também segue o governador interino, o então presidente da Assembleia Legislativa, Soldado Sampaio.
Pelos sinais emitidos de Brasília, o STF deverá seguir sem qualquer prioridade até a realização das eleições gerais de outubro, podendo inclusive chegar até a posse do governador eleito, em janeiro de 2027.
Esses dois casos emblemáticos revelam um bolo de instabilidade política criado por um embaraço institucional e um nó jurídico montados meticulosamente pela própria Justiça Eleitoral em seu histórico de morosidade em decidir de forma célere o julgamento dos processos eleitorais.
No entanto, também existe uma outra leitura desses dois estados além desses episódios políticos e eleitorais.
Embora Roraima esteja localizado em uma região geograficamente oposta a do Rio Janeiro, nos dois extremos do mapa, esses dois estados têm ligações históricas: Roraima já teve um voo direto do Rio Janeiro, o que fazia com que a elite local do tempo de Território enviasse seus filhos para lá; e as transmissões de jogos pelo rádio, no passado, do campeonato carioca, que fizeram com que muitos roraimenses passassem a torcer pelo Flamengo, torcida essa passada de pais para filhos.
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