O peixe que possui uma cabeça transparente e olhos que podem ser observados através dela
O Macropinna microstoma vive nas profundezas e combina olhos tubulares móveis com uma cobertura translúcida sobre a cabeça
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Nas profundezas do Pacífico Norte, um pequeno peixe chamou a atenção da ciência por exibir uma adaptação rara e visualmente desconcertante. A chamada cabeça transparente do Macropinna microstoma protege olhos tubulares extremamente sensíveis à luz e ajuda a explicar como esse animal consegue localizar alimento em um ambiente escuro, frio e com poucos recursos.
O Macropinna microstoma , também chamado de peixe-de-cabeça-transparente, pertence à família Opisthoproctidae e vive em águas mesopelágicas, geralmente entre cerca de 600 e 800 metros de profundidade. Nessa faixa do oceano, a luz solar já é muito fraca, e enxergar pequenos contrastes acima do corpo pode ser decisivo para encontrar alimento.
A estrutura translúcida que cobre a parte superior da cabeça funciona como um escudo cheio de fluido. Por muitos anos, esse detalhe quase passou despercebido porque exemplares capturados em redes chegavam danificados à superfície. Observações com veículos submarinos mostraram depois que essa cobertura faz parte da anatomia normal do animal e protege os olhos.
Os olhos do peixe são cilíndricos e ficam voltados, na maior parte do tempo, para cima. Esse formato aumenta a captação de luz em um ambiente onde quase tudo depende de perceber silhuetas muito fracas ou sinais luminosos vindos da água acima. As lentes têm coloração esverdeada, o que provavelmente ajuda a filtrar a luz ambiente e melhorar a detecção de presas.
Durante décadas, cientistas pensaram que esses olhos eram fixos e apontavam apenas para o alto. Depois, estudos com animais observados vivos mostraram que eles podem girar para a frente quando o peixe está se alimentando. Isso resolveu um antigo problema: entender como um animal com olhos voltados para cima conseguiria enxergar a própria presa ao capturá-la.
Este vídeo mostra o peixe em seu ambiente e ajuda a visualizar a posição real dos olhos e da cobertura transparente.
As evidências disponíveis indicam uma dieta baseada em zooplâncton, pequenos crustáceos e organismos gelatinosos, incluindo sifonóforos. O peixe costuma pairar quase imóvel na coluna d’água, estratégia que economiza energia e favorece a observação do que se desloca acima dele no ambiente escuro.
Pesquisadores também levantaram a hipótese de que ele possa retirar pequenos animais presos entre os tentáculos de sifonóforos. Nesse cenário, a cobertura translúcida sobre a cabeça faria sentido adicional: além de permitir visão eficiente, poderia oferecer proteção para os olhos durante a aproximação de estruturas urticantes.
Não. A característica mais famosa dessa espécie não significa que todo o animal seja transparente. O que se destaca é a cobertura translúcida sobre a cabeça, por meio da qual podem ser vistos os olhos tubulares. O restante do corpo tem aparência normal para um peixe de águas profundas, com tonalidade escura e nadadeiras adaptadas a movimentos lentos e precisos.
Outro equívoco comum envolve dois pontos na frente da cabeça que parecem olhos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.