Fim da escala 6X1: quais ações e setores da Bolsa brasileira sentirão maior impacto?
Na noite da última quarta-feira (14), o Senado brasileiro aprovou a proposta de emenda constitucional para eliminar o cronograma semanal de trabalho de seis dias e um dia de folga do Brasil , por 75 votos a favor e um contra.
A emenda reduz a semana de trabalho de 44 para 40 horas, com limite de oito horas por dia, e garante em média dois dias pagos de descanso por semana, um dos quais deve, preferencialmente, ser aos domingos, e pelo menos um dia de descanso obrigatório por semana.
A proposta estabelece que a implementação da medida nos contratos ocorrerá sem redução salarial e permite leis suplementares para estabelecer medidas transitórias, desde que os níveis de emprego sejam mantidos.
Atualmente, a versão aprovada da emenda estabelece 60 dias desde sua promulgação para a transição para uma semana de trabalho de 42 horas e, 12 meses depois, para uma semana de trabalho de 40 horas.
A proposta já era observada de perto pelos analistas de mercado durante boa parte do ano de 2026, que já olhavam o impacto principalmente para as ações de empresas ligadas ao mercado doméstico, como varejo, saúde, shoppings e construtoras.
Com a aprovação do fim da escala 6×1 no Senado, as associações que representam as construtoras reiteraram os seus alertas de que a medida trará aumento de custos significativos na produção de imóveis.
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) estima que a redução da jornada poderá exigir a contratação de aproximadamente 288 mil trabalhadores adicionais a partir de 2027, pressionando os custos de produção e comprometendo o ritmo de execução de obras.
Leia também Após fim da escala 6×1, setores preparam pressão por regulamentação no Congresso Entidades dos setores da indústria, comércio e construção civil afirmam que não houve amplo diálogo para aprovar a PEC, que deve impactar contratações e custos Segundo as associações do setor, o quadro agrava a situação do setor, que já convive com escassez de trabalhadores qualificados, desinteresse dos mais jovens em ingressar nos canteiros e competição por mão de obra com serviços de transporte por aplicativos.
Na visão da Ativa Investimentos, o impacto deve ser generalizado no varejo, com os principais segmentados afetados sendo vestuário, farmácias, supermercados e eletrônicos, que contam com menor capacidade de recompor margens por meio de reajustes de preços.
Para Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, o fim da escala 6×1 também acrescenta uma pressão doméstica a um cenário global influenciado pelos juros americanos, pelo câmbio e pelas expectativas de inflação.
Com as vendas no varejo crescendo somente 0,1% em agosto , o espaço para reajustes permanece limitado, avalia.
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