Em teste inédito contra a acidez dos oceanos, cientistas despejaram milhares de litros de soda cáustica no mar
O teste alterou a química de uma pequena área do oceano e acompanhou seus efeitos
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Uma mancha avermelhada surgiu no Golfo do Maine , nos Estados Unidos, enquanto navios e equipamentos acompanhavam uma experiência incomum. Cientistas adicionaram uma solução purificada de soda cáustica no mar para testar se a água poderia absorver mais gás carbônico da atmosfera. O experimento aconteceu em agosto de 2025 e apresentou resultados preliminares positivos, mas ainda não demonstrou que a técnica possa ser usada em grande escala.
Os pesquisadores utilizaram hidróxido de sódio , substância conhecida como soda cáustica, para aumentar a alcalinidade da água. Isso modifica o equilíbrio químico do oceano e pode permitir que ele absorva mais dióxido de carbono, conhecido como CO₂.
A experiência foi realizada pelo projeto LOC-NESS , liderado pela Woods Hole Oceanographic Institution . A instituição divulgou os primeiros resultados em fevereiro de 2026, após analisar dados coletados durante a liberação da solução.
O objetivo era observar a reação em condições reais, com correntes marítimas, organismos vivos e mudanças naturais na composição da água.
A soda cáustica aumenta a alcalinidade da água , isto é, sua capacidade de neutralizar ácidos. No oceano, essa mudança afeta a maneira como o carbono dissolvido se distribui entre diferentes substâncias químicas.
Quando o CO₂ atmosférico entra na água, participa de reações que podem aumentar sua acidez. Ao elevar a alcalinidade, os cientistas procuram favorecer a entrada de mais carbono sem provocar o mesmo aumento de acidez.
A técnica recebe o nome de aumento da alcalinidade oceânica . Sua eficiência depende da quantidade de carbono realmente absorvida e de quanto tempo esse carbono permanece armazenado.
A mancha vermelha foi produzida por um corante usado para rastrear a água . Os cientistas adicionaram a substância para acompanhar o movimento da solução pelas correntes e comparar os resultados com simulações feitas em computador.
A cor não foi provocada pela soda cáustica. Isso diferencia a experiência de fenômenos naturais, como as Cataratas de Sangue da Antártida, onde o ferro dá uma cor avermelhada à água .
No Golfo do Maine, a dispersão durou aproximadamente 6 horas . Depois, a equipe continuou acompanhando a área para verificar as mudanças químicas e os possíveis efeitos sobre os organismos.
Os primeiros resultados não identificaram impactos biológicos significativos nos organismos avaliados . A equipe comparou amostras retiradas dentro e fora da região tratada, observando bactérias, fitoplâncton, zooplâncton e larvas de animais marinhos.
A ausência de efeitos mensuráveis não significa que qualquer quantidade de soda cáustica seja segura no oceano. O resultado vale para a concentração, a duração e as condições específicas do experimento.
Os pesquisadores também verificaram que os níveis de pH e do corante voltaram às condições de referência dentro do período esperado. Isso mostrou que a alteração química podia ser acompanhada enquanto a água se dispersava.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.