A receita de Nísia Trindade para enfrentar a próxima pandemia
Poucas pessoas estiveram tanto no olho do furacão da saúde pública como Nísia Trindade .
A socióloga carioca de 68 anos esteve à frente da Fiocruz durante a pandemia de covid-19 e, na sequência, assumiu o Ministério da Saúde no governo Lula .
A experiência em um período tão crítico da história recente motivou a pesquisadora – e hoje candidata à deputada federal – a escrever Ainda Há Tempo , livro lançado pela Civilização Brasileira que reúne memórias e lições de uma crise sem precedentes.
Ainda Há Tempo, de Nísia Trindade, 420 páginas, Civilização Brasileira Capa: Civilização Brasileira/Reprodução Continua após a publicidade A seguir, a autora faz um balanço de sua gestão, explica o trabalho de reconstrução do SUS após o período desastroso de Jair Bolsonaro e analisa quão preparados estaríamos para uma nova pandemia – algo já previsto pelos especialistas.
Com a palavra, Nísia Trindade.
Continua após a publicidade A senhora foi ministra da Saúde de 1º de janeiro de 2023 a 10 de março de 2025.
Qual teria sido, em sua avaliação, o maior sucesso à frente da pasta? O primeiro indicador de sucesso foi o aumento da cobertura vacinal.
O Brasil figurava entre os 20 países que menos estavam vacinando, segundo os dados de 2022.
E, a partir de 2023, lançamos o Movimento Nacional pela Vacinação e atingimos o aumento da cobertura de 15 das 16 vacinas do calendário infantil, além de ter recuperado o certificado de país livre do sarampo.
Então, há dados muito concretos que mostram esse sucesso.
O segundo movimento que alcançou êxito foi a redução da fila do tempo de espera para cirurgias eletivas.
Consegui ampliar para 14 milhões de cirurgias no ano de 2024, realizadas pelo SUS, um recorde histórico.
O que mais avançou? Realizamos a retomada do complexo econômico industrial da saúde, voltado para articular toda a área de produção de vacinas e medicamentos.
O Brasil, durante a pandemia, revelou quanto é maléfica essa dependência da importação de produtos de saúde.
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