Cadê os aliados de Flávio? Trump, Kassio e Tarcísio deixam senador só
Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami nesta quarta-feira (28/10) com a família, uma carta e um título que ele mesmo se deu. Carregando uma grande fake news, prometeu comandar a oposição do exterior. Faltou combinar com os liderados. Ao longo do dia, um a um, os aliados com quem ele contava deixaram claro que já viraram a página.
O primeiro foi o anfitrião. Donald Trump confirmou que autorizou a entrada do senador nos Estados Unidos, mas se recusou a comentar a carta. “Não vou me envolver”, disse. Chamou a eleição de “muito estranha”, sem apresentar provas, e lembrou que não tomou partido na disputa. Abriu a porta e só.
O segundo golpe veio de casa. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, chegou ao Supremo por indicação de Jair Bolsonaro. Em nota, afirmou que o pleito transcorreu “dentro da mais absoluta normalidade” e que o eleitorado “legitimamente escolheu seus representantes”. Lula venceu com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio, uma diferença de 4,4 milhões de votos.
O terceiro foi o mais simbólico. Dez dias atrás, Tarcísio de Freitas convocava eleitores para o Bloquinho 22 na Avenida Paulista e chamava o ato de “festa da vitória”. Nesta quarta foi direto ao afirmar que “o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”. Pediu uma oposição forte “dentro das instituições”, o avesso do roteiro da carta.
O próprio partido se afastou. O PL de Valdemar Costa Neto reconheceu o resultado há dois dias e não se manifestou sobre a carta. Rogério Marinho, coordenador da campanha e único aliado citado nominalmente no texto, desmontou a tese central ao dizer que o PL não tem provas de fraude eleitoral.
Nem a turma do Bloquinho 22 subiu no trio. Nikolas Ferreira, que segundo relatos defendeu que Flávio ficasse no Brasil, publicou um post sobre a fuga, apagou-o e o refez com a palavra “supostamente”. Antes, já tinha admitido que a chance de anular a eleição é praticamente nula. Lucas Pavanato preferiu ironizar Alexandre de Moraes a defender a fake news. Pablo Marçal ficou em silêncio.
Flávio escreveu que a luta não terminou em 25 de outubro. Resta saber que luta é essa. Talvez seja sobre as investigações contra ele.
No STF, a Polícia Federal apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no financiamento de Dark Horse, a cinebiografia do pai. Segundo a PF, Flávio teria pedido e intermediado milhões de reais de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Ninguém sabe nem se o filme existe.
Outro inquérito investiga lavagem e evasão de divisas na relação do senador com o advogado Willer Tomaz. Nesse caso, a PF aponta que Flávio aparecia como “usuário master” de uma conta da offshore de Willer. A mesma apuração examina a proximidade de Willer com o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) e um pregão da Loterj.
Willer está nos Estados Unidos desde a véspera do segundo turno, e a PF suspeita que um jato dele tenha sido usado na fuga. Flávio nega irregularidades e diz que os recursos do filme foram financiamento privado.
O pai está em prisão domiciliar e o irmão Eduardo, também nos EUA, é alvo da Justiça brasileira.
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