Proteção contra doenças de pets está nas vacinas do animal
Ao adotar um cachorro ou um gato, é comum surgir uma dúvida entre tutores: existe alguma vacina que eu precise tomar? A pergunta parece razoável, afinal, animais de estimação podem, sim, transmitir doenças a humanos.
Mas a resposta dos especialistas é quase sempre não.
E entender isso revela uma lógica de proteção diferente do que muitas pessoas imaginam, em que a vacina que realmente importa não é a do tutor, mas a do animal .
“Não existe um conjunto de vacinas que uma pessoa precise tomar simplesmente porque convive com cães ou gatos.
A maioria das doenças que esses animais podem transmitir aos seres humanos não é prevenida por vacinas humanas”, explica Mary Marcondes, médica-veterinária e presidente do Comitê de Vacinação da Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais (WSAVA).
Vacinas contra raiva e leptospirose A vacina contra a raiva é a exceção, mas seu alcance é limitado .
A indicação preventiva não vale para qualquer tutor, mas para grupos ocupacionais com contato frequente com o vírus, como médicos-veterinários, biólogos, estudantes da área e profissionais envolvidos no diagnóstico da doença.
Fora desses casos, a proteção da população em geral passa por outro caminho, o de manter o próprio animal vacinado contra a raiva durante toda a vida .
No Brasil, a vacina antirrábica humana usada tanto na profilaxia preventiva quanto após uma exposição de risco é gratuita e está disponível em toda a rede do SUS, segundo o Ministério da Saúde, e qualquer unidade de saúde pode fazer a primeira avaliação depois de uma mordida ou arranhão de risco.
Então, havendo indicação de tratamento, o paciente é encaminhado a uma unidade de referência.
Já a profilaxia preventiva, indicada a grupos ocupacionais de risco, é feita com duas doses de vacina, com controle sorológico após a última aplicação.
“Outra vacina para animais que também é importante para a saúde humana é a contra a leptospirose , administrada aos cães.
Embora seja muito importante mantê-los vacinados anualmente, a maioria das pessoas que contrai leptospirose não a adquire diretamente de um cão.
A infecção humana está muito mais relacionada ao contato com urina de animais infectados, principalmente roedores, ou com água, lama e solo contaminados, como vimos durante as enchentes no Rio Grande do Sul”, afirma Marcondes, se referindo à catástrofe climática ocorrida em 2024 na região.
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