Crianças curadas da leucemia precisam se revacinar, alerta estudo brasileiro
As crianças e adolescentes que se curaram da leucemia linfoide aguda (LLA), um dos tipos de câncer mais comuns entre essa faixa etária no Brasil, precisam passar por um novo e completo ciclo de vacinação . Isso porque a quimioterapia, essencial para combater a doença, compromete o sistema de defesa do corpo.
Essa descoberta foi revelada em uma revisão sistemática , um tipo de estudo que reúne e analisa os resultados das pesquisas mais relevantes sobre um tema, publicada em maio deste ano na revista científica Vaccines . Os pesquisadores, brasileiros, reuniram evidências de 24 estudos realizados entre 1981 e 2023, envolvendo 1.110 crianças e adolescentes tratados para leucemia linfoide aguda.
A quimioterapia, segundo a pesquisa, afeta a memória imunológica, a capacidade do sistema imunológico de manter um registro dos microrganismos que já encontrou . Graças a ela, o organismo consegue responder mais rapidamente quando entra em contato novamente com esses agentes, seja após uma infecção ou uma vacinação. Com o tratamento, no entanto, as células desse sistema podem levar até cinco anos para se reconstruírem totalmente.
“A quimioterapia necessária para tratar a LLA é extremamente eficaz, mas ela também afeta células saudáveis do sistema imunológico. Além de reduzir temporariamente o número de linfócitos, ela compromete principalmente os linfócitos B e T de memória, que são justamente as células responsáveis por ‘lembrar’ dos microrganismos encontrados anteriormente e responder rapidamente quando eles reaparecem”, explica Licia Mota, reumatologista, professora, pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB) e uma das autoras do estudo.
A pesquisa apontou ampla variação na proporção de pacientes que mantiveram níveis protetores de anticorpos (proteínas de defesa) após o tratamento. Contra pertussis (coqueluche), por exemplo, a taxa de proteção variou de 0% a 90% entre os estudos, enquanto para difteria oscilou de 11% a 97%. No caso do tétano e da poliomielite, as taxas de anticorpos protetores ficaram entre 20% e 100% e entre 11% e 95%, respectivamente. Já para a Haemophilus influenzae tipo b (Hib), a proteção variou de 16,7% a 100%.
As vacinas contra vírus também apresentaram respostas variáveis, indicando que muitos sobreviventes de câncer deixaram de manter níveis considerados protetores de anticorpos após o tratamento .
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