A dança das autodeclarações raciais nas eleições
As eleições mexem com a percepção de raça na política.
Antes, declarar-se branco, pardo ou preto tinha uma função estatística que denunciava as desigualdades de representação.
Hoje, a autodeclaração determina o acesso a recursos públicos, propaganda e cálculo da distribuição futura do fundo partidário.
A presença de candidaturas negras – uma legítima política de reparação – se transformou em uma estratégia eleitoral.
O TSE e o STF determinaram que no mínimo 30% dos recursos públicos fossem distribuídos entre candidaturas negras (pretas e pardas).
A Emenda Constitucional nº 111, de 2021, acrescentou que os votos recebidos por candidatos negros para a Câmara dos Deputados seriam contabilizados em dobro, entre 2022 e 2030, no cálculo da distribuição futura dos fundos partidários.
Pronto.
Começou a dança da autodeclaração.
Um levantamento do Deutsche Welle aponta que 2.136 candidatos que já haviam disputado eleições anteriores mudaram sua declaração de cor ou raça em 2026.
O número corresponde a cerca de 15,6% dos aproximadamente 13,7 mil candidatos recorrentes.
A mudança mais frequente foi de branco para pardo: 828 casos.
Em seguida aparecem pardo para branco (596), pardo para preto (287) e preto para pardo (271).
Uma pessoa pode mudar sua forma de se identificar racialmente ao longo da vida.
Ainda mais em uma sociedade que evita uma discussão profunda sobre o tema e onde impera o racismo estrutural.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.metropoles.com — o conteúdo pertence a Metrópoles.