O que é 'psicose política', expressão que se popularizou nas redes entre lulistas após primeiro turno
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Logo após um primeiro turno sem grandes mobilizações nas ruas e nas redes, em que Flávio Bolsonaro (PL) saiu à frente com 47% dos votos válidos, eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que somou 45,1%, promoveram uma onda de indignação e desespero na internet por esperar um desempenho superior do atual mandatário. A reação foi chamada por internautas de "psicose política", termo que não existe no léxico clínico, segundo o psicanalista Christian Dunker .
Para o professor titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo , classificar esse sentimento como "psicose política" é impreciso. "É como usar a expressão neurose para caracterizar alguém que está muito nervoso, irritado, contrariado". Ele afirma que esse é mais um exemplo do uso popular de diagnósticos. "Isso fala mais de uma tendência contemporânea de valorizar a saúde mental."
A psicóloga Késia Rodrigues também afirma que não se pode chamar o atual cenário de "psicose política", já que a psicose seria um deslocamento da realidade comum. "O que está acontecendo agora é o contrário de uma psicose, é uma imersão total nessa realidade".
Apesar disso, ela relata observar, nas redes e na clínica, pessoas vivendo esse cenário como se a distopia consumida em séries e filmes estivesse muito perto da realidade. "A gente está no nível em que se criou duas dimensões da realidade, onde você não consegue dialogar com essas pessoas que estão imbuídas do que elas recebem dentro dos campos conservador e progressista."
Para Dunker, esse fenômeno já havia sido observado na eleição de Jair Bolsonaro , em 2018. Ele aponta que há processos de regressão, dissonância cognitiva, negação e projeção comumente usados para pensar a psicologia das massas. "Isso tem uma regularidade: momentos de crise política, crise social e tragédias têm essa característica de convocar discursos outros, metafísicos, religiosos."
Sentimentos negativos frente a esse cenário não são uma novidade. Um levantamento do Ipsos-Ipec de dezembro de 2025 mostrou que tristeza (19%), cansaço (17%) e medo (16%) eram os principais sentimentos dos brasileiros sobre a política.
À época, a tristeza era mais expressiva entre os eleitores de Jair Bolsonaro (24%) do que entre os de Lula (13%). O resultado das urnas no primeiro turno de 2026, no entanto, fez parecer que o cenário se reverteu: enquanto a esquerda lamenta o segundo lugar, bolsonaristas comemoram o aumento de deputados e senadores eleitos .
Dunker afirma que estar triste com as urnas não é um grande problema, pois o luto é natural em momentos de perdas. O cansaço, porém, é mais preocupante. "O cansaço aponta para algo que se cronifica, de fato torna a situação poluente, tóxica, torna o tema fonte de angústia e distanciamento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Equilíbrio e Saúde.