O que mensagens e propostas de delação de Vorcaro revelam sobre Moraes
A comparação dos anexos da proposta de colaboração premiada de Daniel Vorcaro com o relatório da Polícia Federal que detalha mensagens entre Alexandre Moraes e o banqueiro revela mais detalhes da relação do dono do banco Master com o ministro do Supremo Tribunal Federal.
O plenário do STF deve julgar nesta terça-feira (15) se abre uma investigação para apurar a relação de Moraes e Vorcaro.
Vorcaro afirmou nas propostas de delação rejeitadas pela Polícia Federal e pela PGR (Procuradoria-Geral da República) que tentou "forçar uma relação" com Moraes e enviou mensagens de forma inconveniente. Também disse que contratou o escritório da esposa do ministro por buscar bons advogados para o Banco Master.
Em todas as três tentativas de firmar um acordo de colaboração, o banqueiro omitiu a totalidade das trocas constantes de mensagens com o ministro do STF. O banqueiro falou genericamente dos contatos, e citou especificamente apenas uma mensagem.
As propostas foram recusadas pelos investigadores, entre outros motivos, por escassez de elementos inéditos e suspeita de blindagem de autoridades. Procurado, o gabinete de Moraes não se manifestou.
As declarações de Vorcaro contrastam com mensagens encontradas no celular do banqueiro e detalhadas no relatório da Polícia Federal sobre as comunicações do ex-dono do Master com o ministro do Supremo.
O UOL teve acesso às três propostas de colaboração premiada de Daniel Vorcaro sobre Moraes. Os relatos passam por pequenas variações em cada documento, mas em nenhum deles o banqueiro atribui crimes ou favorecimentos por parte do ministro.
Na primeira proposta, apresentada em abril aos investigadores, Vorcaro diz que conheceu Moraes por intermédio do ex-ministro das Comunicações Fábio Faria. O banqueiro conta que "admirava o ministro" e o considerava "uma das figuras mais importantes no Brasil". Não por outra razão, tentou "criar uma amizade" com a autoridade, afirma no documento.
Ele diz que pediu diversas vezes para Faria marcar encontros com Moraes. "O colaborador, durante todo o tempo, tentou forçar uma relação com o ministro Alexandre de Moraes", diz a delação rejeitada.
Nas propostas de delação, Vorcaro alega que passou a sofrer ataques e denúncias no início de 2024 por sua atuação como dono do Banco Master. Ele, então, teria decidido reforçar a equipe jurídica da instituição.
"O colaborador sempre procurou os melhores e mais influentes escritórios de advocacia, principalmente aqueles que não atuavam para bancos concorrentes. Foi diante desse contexto e querendo se aproximar do ministro Alexandre de Moraes, que teve a ideia de contratar o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados", diz.
O banqueiro conta que o valor do contrato foi negociado diretamente com Viviane Barci, esposa de Moraes, e que os serviços prestados tinham natureza diversa: consultoria, atuação na área penal, combate a fraudes em crédito consignado, reestruturação do compliance, entre outros.
As mensagens e documentos analisados pela PF mostram que foram dois contratos.
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