Esquema “sangrou” R$ 9,6 mi de operadora da Santa Casa para empresas de advogado
Esquema revelado pela Operação Antidotum, que investiga fraudes milionárias na Santa Casa de Campo Grande, maior hospital do Estado, mostra que Beatriz Lemos da Silva, administradora legal da Operadora Santa Casa Saúde, permitiu que contratos celebrados com as empresas do advogado Paulo da Cruz Duarte, possivelmente com o conhecimento da diretoria corporativa da ABCG (Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande), sangrassem do caixa da operadora a quantia de R$ 9.617.738,49.
O dado é relativo apenas a 2025 e consta no relatório da operação, que foi realizada pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e Gaeco Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) na última sexta-feira (dia 11).
Na decisão que autorizou a operação, a juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, afastou Beatriz e Paulo das funções.
A medida foi tomada porque Beatriz tem acesso direto a contratos, aditivos, registros contábeis, notas fiscais, relatórios de execução, ordens de serviço e demais documentos que constituem o objeto central das apurações.
“A segunda frente diz respeito às sucessivas contratações celebradas pela Operadora Santa Casa Saúde com empresas vinculadas a Paulo da Cruz Duarte, sócio e parceiro profissional de Alir Terra Lima, as quais abrangeram serviços jurídicos, cobrança, atendimento, comercialização de planos, administração de beneficiários, telemedicina, publicidade e outras atividades.
Consta das investigações que, somente no exercício de 2025, teriam sido pagos R$ 9.617.738,49 às empresas vinculadas a Paulo Duarte, enquanto a operadora registrou resultado negativo de R$ 3.555.901,12”, informa a decisão.
A advogada Alir Terra Lima, que foi presa na operação, cumpria o segundo mandato como presidente da Santa Casa.
Conforme a investigação, após a assunção de Alir à presidência da entidade, diversas empresas vinculadas a Paulo da Cruz Duarte passaram a ser contratadas pela operadora para desempenhar atividades em diferentes setores de sua estrutura administrativa e operacional, abrangendo serviços de consultoria, cobrança, comercialização de planos, administração de benefícios, telemedicina, publicidade e outras áreas correlatas.
Segundo informado pelo Conselho Fiscal, apenas no exercício de 2025, essas contratações resultaram em pagamentos superiores a R$ 9,6 milhões, contribuindo para expressivo resultado financeiro deficitário da operadora.
Conforme a apuração, ao mesmo tempo em que figurava como advogado da Santa Casa e da Operadora Santa Casa Saúde, Paulo tinha participação em empresas que passaram a ser sucessivamente contratadas pela própria operadora, quadro que, em tese, evidencia relevante conflito de interesses e possível direcionamento das contratações em benefício de pessoas vinculadas à administração da entidade.
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