Geopolítica faz maiores produtores de café reverem comércio global
A mudança no fluxo global do café, pressionado por tensões geopolíticas, barreiras comerciais, oscilações cambiais e eventos climáticos, estará no centro das discussões do Vitória Coffee Summit 2026 , que reúne a partir desta quinta-feira (20) representantes dos principais países produtores e consumidores da commodity, na capital do Espírito Santo.
O encontro ocorre em um momento de rearranjo do comércio internacional do grão.
De um lado estão Brasil, Vietnã e Colômbia, três potências da produção mundial.
Do outro, os Estados Unidos, maior mercado consumidor individual de café do planeta e historicamente um dos destinos mais importantes do produto brasileiro.
Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) ajudam a dimensionar o peso desses países.
Para a safra 2026/27, o órgão projeta o Brasil novamente na liderança mundial, seguido pelo Vietnã, enquanto a Colômbia permanece entre os maiores produtores globais.
A produção brasileira deve alcançar 69,2 milhões de sacas de 60 quilos, considerando arábica e robusta; o Vietnã, 32,5 milhões; e a Colômbia, 13,4 milhões.
Leia Mais Exportação de café em abril tem volume estável e receita em queda Exportações de café recuam 16% com EUA fora da liderança pós-tarifaço Exportações de café solúvel sobem 20% em julho Na outra ponta da cadeia estão mercados fortemente dependentes das importações.
Os Estados Unidos devem consumir cerca de 27 milhões de sacas em 2026/27, segundo o USDA.
O Brasil tradicionalmente responde por aproximadamente um terço do café verde importado pelos norte-americanos, seguido por Colômbia, Vietnã e Honduras.
Essa interdependência torna o café especialmente sensível às mudanças na política comercial .
Tarifas, disputas entre grandes economias, custos logísticos e mudanças nas relações entre países produtores e compradores têm potencial para alterar destinos de exportação, preços e estratégias comerciais das empresas.
O evento também ocorre enquanto estoques globais historicamente apertados.
Segundo a Conab, com base em estimativas do USDA, os estoques mundiais no início da temporada 2025/26 estavam no menor patamar em 25 anos, em cerca de 21,8 milhões de sacas.
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