IA tenta prever tempestades solares, mas existe um problema
Para tentar prever o surgimento de tempestades solares, cientistas começaram a apostar no uso de inteligência artificial (IA).
Modelos recentes, como o EarlyDetect , conseguem analisar dados sob a superfície do Sol para identificar o aparecimento de áreas ativas até 12 horas antes que elas fiquem visíveis.
A ideia é ganhar um tempo valioso para proteger redes elétricas, satélites e sistemas de navegação por GPS antes de alguma erupção atingir a Terra.
No entanto, o avanço dessas ferramentas digitais esbarra num gargalo.
Embora os algoritmos consigam notar variações sutis nos dados, eles apenas procuram padrões numéricos – sem compreender a física por trás das erupções do Sol.
Por isso, o desafio atual da comunidade científica é transformar testes de laboratório em alertas confiáveis para o dia a dia.
O gargalo da IA: dados vs. física do Sol Apesar da velocidade, modelos de IA recentes enfrentam um limite imposto pela própria natureza do Sol.
Ferramentas como o EarlyDetect analisam variações magnéticas e acústicas sob a superfície para identificar o surgimento de manchas solares.
Mas funcionam apenas mapeando padrões estatísticos.
Essa limitação afeta a precisão dos alertas emitidos por algoritmos.
Paulo Simões, professor e pesquisador do Centro de Rádio Astronomia e Astrofísica Mackenzie (CRAAM), explica ao Olhar Digital que os modelos digitais procuram correlações numéricas sem compreender o comportamento do Sol.
Algoritmos notam variações sutis nos dados, mas não entendem a física do Sol – Imagem: Olhar Digital via Gemini “A principal limitação para algoritmos de aprendizado de máquina diferenciarem manchas ‘ativas’ de ‘inativas’ é a física”, pontua o professor.
“Esses algoritmos, de forma bem simplificada, procuram padrões nos dados, mas sem nenhuma relação com a física que controla o surgimento de manchas e seu potencial para gerar erupções – em particular, a física de campos magnéticos no plasma solar.” Por essa razão, identificar o aparecimento de uma mancha solar não significa que uma tempestade espacial vá acontecer.
Uma área com intensa atividade magnética pode surgir na superfície e continuar estável, sem disparar erupções coronais ou explosões de radiação.
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