Dormir mais aos finais de semana resolve o débito de sono?
Muitos brasileiros não dormem a quantidade ideal de sono durante a semana.
Pode ser por causa de insônia — que acomete quase um terço da população do país, segundo dados do Vigitel —, da rotina de trabalho e estudo, dos filhos, da ansiedade … A lista é grande.
Nesse cenário, pode surgir a ideia de compensar as horas perdidas no sábado e no domingo.
Mas não é bem assim.
Dormir mais no fim de semana pode até ajudar um pouco, mas não resolve o débito de sono , nome dado à diferença acumulada entre a quantidade de sono que uma pessoa necessita e aquela que efetivamente obtém.
“A gente não tem como pagar esse débito de sono nos finais de semana.
No entanto, é melhor a gente recuperar um pouco desse débito nos finais de semana, do que entrar na segunda-feira, na semana seguinte, com ainda mais horas de sono devedoras no nosso cérebro”, explica Monica Andersen, diretora de ensino e pesquisa do Instituto do Sono.
Por que não é possível recuperar? Para entender essa parte, primeiro é preciso compreender a importância das horas dormidas.
“O sono é um estado cerebral ativo, sendo essencial para a consolidação da memória e da aprendizagem, restauração de energia, regulação hormonal, regulação emocional, manutenção do estado de alerta e homeostase metabólica”, explica Fernanda Carolina Silva Guimarães Cruz, doutora em ciências pela Universidade de São Paulo (USP), certificada em sono e coordenadora do Núcleo de Fisioterapia da Academia Brasileira do Sono.
Dormir também contribui para a regulação da resposta imunológica e inflamatória e pode favorecer a resistência do organismo a infecções.
Durante o sono, ainda ocorre uma maior atividade do sistema glinfático, uma rede envolvida na remoção de resíduos metabólicos do cérebro.
A restrição de sono provoca uma série de alterações nesses processos, e algumas delas não são completamente revertidas após apenas duas noites de recuperação.
“[O débito] não funciona como uma conta em que cada hora extra tem o mesmo valor para todas as funções”, afirma Cruz.
Principais impactos do sono insuficiente Não dormir o suficiente pode reduzir a capacidade de manter a vigília, prejudicar o desempenho cognitivo, aumentar a sonolência e afetar negativamente o humor.
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