Em curso, escuta vira ferramenta para bombeiros de MS salvarem vidas
Escutar, acolher e agir sem ampliar o sofrimento.
É esse atendimento que 36 profissionais das áreas de saúde e segurança treinam nesta semana, em Campo Grande, durante o Curso de Atendimento à Tentativa de Suicídio.
Com 60 horas-aula, a capacitação reúne integrantes do Corpo de Bombeiros, Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), Hospital Nosso Lar, Caps (Centros de Atenção Psicossocial) da Capital e do interior, SES (Secretaria de Estado de Saúde) e Polícia Militar do Acre.
Esta é a segunda edição realizada em Mato Grosso do Sul e também busca formar instrutores para levar o conteúdo a outras regiões do Estado.
Coordenador do curso, o tenente-coronel José Edir Paixão de Souza, do Corpo de Bombeiros do Ceará, explica que as aulas são realizadas com a integração de diferentes forças e abordam temas como capelania, espiritualidade e saúde mental.
Segundo ele, também são trabalhadas formas de acolhimento humanizado para situações enfrentadas no dia a dia pelos profissionais.
“A gente deixa muito claro que quando eu falo de forma científica, responsável e prevencionista, eu estou trabalhando para evitar morte de pessoas de forma voluntária, porque nós vamos aprender que as mortes voluntárias, elas são evitáveis, que nós podemos buscar ajuda e que a escuta, a comunicação, o acolhimento compassivo, eles têm um poder enorme em evitar essas mortes por suicídio e trazer conforto”.
Entre os conceitos apresentados durante a capacitação está a “salutogênese”, que é uma abordagem teórica focada na origem da saúde e nos fatores que promovem o bem-estar.
O tenente-coronel Edir destaca o termo, citando o pesquisador Aaron Antonovsky.
“Nós muitas vezes queríamos saber sobre doenças, sobre características de doenças e o Aaron Antonovsky falava sobre salutogênese.
O que é que nos causa, nos promove saúde? [...] É um esporte, é espiritualidade, é o convívio em família, a alimentação que a gente tem, o que a gente consome na televisão, nos livros e pensassem que isso pode gerar também saúde para todos nós”.
Nesta quinta-feira (8), os alunos participaram de simulações de atendimento a pessoas em crises suicidas, reproduzindo cenários reais.
O Campo Grande News esteve no local no momento em que as atividades seriam iniciadas, mas, por orientação da corporação, não foram feitas imagens para evitar a ativação de gatilhos em pessoas vulneráveis.
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