O impacto das bets na saúde e na segurança pública
Setor carece de regulamentação mais aprimorada, políticas públicas de suporte aos danos causados pelo jogo e fiscalização para combater a lavagem de dinheiro.
O avanço das apostas on-line, conhecidas como bets, deixou de ser apenas uma questão de entretenimento ou de perda financeira individual.
O vício em apostas e o endividamento extremo têm provocado graves consequências sociais, incluindo o registro de uma onda de suicídios, além de criarem oportunidades para a expansão do crime organizado.
No Congresso Nacional, tramita uma medida provisória que proíbe as bets no país, estabelece regras para a devolução de recursos aos apostadores e restringe a publicidade e os patrocínios.
Todavia, a proposta ainda precisa ser analisada para que possa se tornar lei.
A principal justificativa apresentada é a proteção do interesse público e a preservação da ordem.
O governo argumenta que os mecanismos atualmente existentes são insuficientes para proteger a saúde da população, os consumidores, as crianças e os adolescentes, além da estabilidade econômica das famílias.
Estudos apontam que, no ano passado, a transferência líquida de recursos das famílias brasileiras para plataformas de apostas alcançou dezenas de bilhões de reais.
Paralelamente, aumentam os riscos associados ao jogo problemático, como endividamento, ansiedade, depressão, isolamento social e transtornos psiquiátricos relacionados à dependência.
O transtorno do jogo, conhecido como ludopatia, afeta milhões de pessoas.
Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo, baseada em dados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas de 2023, aponta que mais de 10 milhões de pessoas com 14 anos ou mais jogam de forma arriscada ou problemática.
Atualmente, cerca de três milhões de pessoas convivem com o vício em jogos de apostas.
Trata-se de um comportamento aditivo, marcado pela dificuldade de interromper o ciclo de apostas mesmo diante de prejuízos pessoais, financeiros e sociais, em um padrão que pode ser comparado, em determinados aspectos, ao consumo abusivo de álcool.
A facilidade de acesso, disponível a qualquer hora por meio do celular, contribui para o agravamento do problema.
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