Flamengo tem Cruzeiro como aliado enquanto batalha contra Palmeiras e Vasco
E as reações e episódios subsequentes ao duelo no Maracanã, que terminou com classificação rubro-negra (vitória por 2 a 1), mostram como o Flamengo tem cultivado o Cruzeiro como um aliado.
Em situação completamente oposta estão as relações institucionais com Palmeiras e Vasco — vide as brigas recentes no âmbito da agência do fair play financeiro e a respeito do uso do Maracanã.
Mesmo com a concorrência crescente e o fortalecimento técnico e financeiro do clube mineiro nos últimos anos, o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, e o dono da SAF do Cruzeiro, Pedro Lourenço, mantém um tom amistoso.
A forma com a qual Pedrinho — o do Cruzeiro — se referiu ao Flamengo depois da eliminação chamou a atenção. O dirigente, assim como o zagueiro Fabrício Bruno, disseram até que estariam torcendo pelo Fla na Libertadores a partir de agora.
"Um tinha que sair. Infelizmente, fomos nós. No dia que saiu o sorteio, dez minutos depois o Bap me ligou: 'Ô, Pedrinho, logo nós... Poderíamos nos encontrar mais para frente'. Foi lamentável ter encontrado o Flamengo. Foi um jogo duro, disputado", disse Pedrinho BH.
Os dois já tinham protagonizado uma cena inusitada nos bastidores do prêmio do Brasileirão no ano passado. Bap recebeu a taça de campeão no palco e, após a transmissão, Pedrinho apareceu na mesa para abraçar o troféu que era do Flamengo e conversar de forma bem-humorada com Bap.
Bap e Pedrinho conseguem manter a cordialidade mesmo quando aplicam o ditado "amigos, amigos, negócios à parte".
Não é por terem boa relação que um facilita transferências de jogadores para o outro. O Flamengo se frustrou ao não conseguir contratar o atacante Kaio Jorge no começo do ano. O Cruzeiro, por sua vez, esteve perto de anunciar Matheus Gonçalves, mas o Flamengo desistiu.
E mesmo na relação conturbada do lado do Flamengo com Gerson, a rusga de diretoria e arquibancada é com o jogador e não com o dono da SAF mineira.
O Cruzeiro é hoje casa também de um dirigente que foi demitido do Fla, o executivo de futebol Bruno Spindel. Mas ele tampouco desperta conflitos entre os lados.
No Flamengo, a nitroglicerina nas relações com outros dirigentes tem se concentrado em Palmeiras e Vasco. Até porque Bap denuncia a união dos dois que envolve o futuro da SAF vascaína.
Com Leila, a polarização esportiva com o Palmeiras descambou também para uma guerra política que resultou na saída do Palmeiras da Libra. Tem ainda disputa por influência nos bastidores, STJD, arbitragem e guerra de notas oficiais, mesmo quando os times não se enfrentam.
Pedrinho, o do Vasco, passou a entrar de forma mais ativa na troca de farpas e hostilidades quando o Flamengo passou a bater na tecla com frequência de que há conflito de interesses e problemas éticos na negociação para venda da SAF vascaína a Marcos Lamacchia, enteado de Leila e herdeiro da Crefisa.
Além disso, o Flamengo ainda acionou a agência do fair play financeiro recentemente para questionar o comportamento do Vasco no mercado, por contratar jogadores enquanto está em recuperação judicial e pegar empréstimo com a Crefisa para sustentar a operação do caixa.
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