'Putin não tem mais como declarar vitória na Ucrânia', diz Nobel da Paz à BBC
"A maioria das pessoas com influência sobre a opinião pública foi declarada como 'agente estrangeiro', 'extremista' ou 'terrorista'.
São várias centenas", disse Dmitry Muratov à BBC.
BBC Nos escritórios do jornal Novaya Gazeta, em Moscou, na Rússia, os corredores estão silenciosos.
Há uma enorme sensação de vazio.
"Não existe mais jornal", disse o ex-editor-chefe Dmitry Muratov em entrevista exclusiva à BBC. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Muratov ajudou a fundar o Novaya Gazeta há mais de 30 anos, após a queda da União Soviética.
O jornal se tornou um dos principais veículos independentes da Rússia, denunciando violações dos direitos humanos e casos de corrupção envolvendo autoridades de alto escalão.
Em 2021, Muratov dividiu o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços "para proteger a liberdade de expressão".
O Comitê do Nobel lembrou que "seis jornalistas [do Novaya Gazeta] foram mortos, entre eles Anna Politkovskaya (1958-2006), autora de reportagens sobre a guerra na Chechênia".
Agora no g1 Foi um reconhecimento ao jornalismo corajoso, mas isso não protegeu o jornal.
"[Vladimir] Putin assinou um decreto que estatizou as máquinas de impressão do jornal", explicou Muratov.
"O registro do jornal foi cassado." O Novaya Gazeta ainda está presente na internet, mas seu alcance é limitado: as autoridades bloquearam o site, que só pode ser acessado fora da Rússia ou por meio de VPN (sigla em inglês para uma rede privada virtual que mascara o "endereço" do usuário e criptografa sua conexão, permitindo acessar conteúdos em uma dada localização).
Muratov leiloou a medalha do Prêmio Nobel para apoiar os esforços humanitários do Unicef em favor de refugiados ucranianos.
EPA via BBC As dificuldades enfrentadas pelo jornal refletem a repressão mais ampla à liberdade de expressão na Rússia, que se intensificou desde a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, em 2022.
"A maioria das pessoas com influência sobre a opinião pública foi declarada como 'agente estrangeiro', 'extremista' ou 'terrorista'.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Mundo.