São Paulo: Justiça rejeita ação de Casares para suspender investigação
A Justiça de São Paulo rejeitou neste quinta-feira uma ação da defesa do ex-presidente do São Paulo Julio Casares que pedia a suspensão do inquérito policial que apura lavagem de dinheiro e desvios no clube.
O caso foi revelado com exclusividade pelo UOL em janeiro deste ano. Foram sacados R$ 11 milhões em dinheiro vivo das contas do São Paulo. Casares, presidente na época, recebeu R$ 1,5 milhões em depósitos fracionados em espécie.
A coluna procurou a defesa de Casares, e será atualizada caso ela se manifeste. Anteriormente, o ex-presidente afirmou que os valores correspondem a um dinheiro que já pertencia a ele, referente a atividades econômicas anteriores ao clube, e estava guardado, tendo sido depositado na sua conta como complemento de renda.
Em entrevista exclusiva ao UOL no final de julho, Casares disse que não poderia defender-se de forma detalhada devido ao sigilo do processo.
Casares entrou em abril com um mandado de segurança alegando violações ao seu direito de defesa no processo. O centro do argumento está em depoimentos de duas testemunhas, uma secretária da presidência e o diretor financeiro Sérgio Pimenta, em abril deste ano.
A defesa do ex-presidente não esteve presente nos depoimentos e não teve ciência da data na qual eles aconteceriam. Eles contaram com a presença do Ministério Público, que fez diversas perguntas às testemunhas.
À Justiça, a defesa de Casares afirma que a medida violou o direito de defesa, prerrogativas profissionais dos advogados e o princípio de paridade de armas, já que o órgão de acusação esteve presente.
A força-tarefa que conduz a investigação se defendeu no processo, apontando que a presença de representados do investigado poderiam causar intimidação ou restrições nos relatos das testemunhas.
O argumento foi acolhido. Na decisão, a juíza responsável apontou também que Casares ainda não é réu, mas sim investigado em um inquérito, e afirmou que a presença da defesa nos atos investigatórios não é absoluta.
Os depoimentos dados à força tarefa foram contundentes. As testemunhas afirmaram ao delegado Tiago Fernando Correia e aos promotores José Reinaldo Carneiro e Tomás Ramadan que Julio Casares tinha uma rotina mensal de saques de R$ 100 mil reais do clube.
Atualmente, o São Paulo não consegue precisar o destino de R$ 7 milhões.
A força tarefa não comenta as investigações, que correm sob segredo de Justiça.
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