Terreiros apostam no turismo para preservar tradições na Bahia
Os números não são precisos e mudam constantemente, mas falam por si só.
No cadastro geral da Federação Nacional do Culto Afrobrasileiro (Fenacab), estão registrados 7,6 mil terreiros ligados aos cultos de matriz africana na Bahia, a maioria deles em Salvador e Região Metropolitana.
Espalhadas em todo o estado, mas fortemente concentradas nas 18 cidades da Baía de Todos-os-Santos, essas casas representam diferentes tradições religiosas, carregam um histórico de resistência negra e oferecem um potencial de visitação ainda pouco explorado.Favorável à estruturação de roteiros turísticos passando por lugares importantes para o povo de santo ou pelos próprios terreiros, o supervisor nacional da Fenacab, Marcelo Santos, reflete que estas visitas precisam ser normalizadas.“O turismo pode ajudar a quebrar paradigmas, divulgando o cotidiano dessas casas, mas preservando o sagrado”, afirma Marcelo, que cita em Salvador lugares como os parques do Abaeté e de São Bartolomeu, além dos terreiros tradicionais de candomblé, como Oxumaré, Gantois, Casa Branca, Afonjá e Aganjú, entre muitas outros possíveis de serem visitados.Saindo da cidade, pontua, o Recôncavo e a Ilha de Itaparica são dois redutos de forte potencial do turismo inter-religioso, como prefere classificar.“Precisamos normalizar essas visitas através de roteiros específicos, que obviamente levarão em conta a disponibilidade e calendários dos terreiros”, reforça Marcelo, que ocupa o cargo de Tata Muxikino no Terreiro Inzó Tumbalê Junçara, no povoado de Acupe, em Santo Amaro, e de Onijá no Tuntun Olukotun, na Ilha de Itaparica.Em ambos, conta, a presença de estudiosos e interessados na cultura e religião de matriz africana é constante.“São lugares cercados de Mata Atlântica, que guardam uma história de muita luta e resistência”.QuilomboNa semana passada visitamos o Tuntun Olukotun e entendemos um pouco melhor o que Marcelo está falando.
Localizado na entrada dos bairros Barro Branco e Bela Vista, área reconhecida como remanescente de quilombo, o terreiro cercado de verde tem sua origem no ano de 1850.Além do remanescente da floresta original, tão importante para a religião, o templo guarda o registro de um tempo em que os rituais eram escondidos, sobretudo o culto ao egungun – termo que designa alma ou espírito dos que já partiram.Na mesma região estão outros seis terreiros desta tradição, incluindo Omo Ilê Agboulá, outra referência do culto, que está fortemente presente na Ilha de Itaparica.Atualmente as lutas são outras.
No ano passado, as várias casas se juntaram para denunciar a especulação imobiliária que avança sobre a mata.
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