‘Vindos de Longe’ transforma 11 de setembro em história sobre o que ainda nos une
Para alguns, pode parecer espantoso que exista um musical sobre o 11 de setembro.
Afinal, como transformar em espetáculo teatral um dos acontecimentos mais traumáticos e dolorosos do século XXI? E, mais ainda: musicais não deveriam ser felizes, coloridos, cheios de pessoas sorrindo, cantando e dançando? Sim — e Vindos de Longe , versão brasileira do musical da Broadway Come From Away , é tudo isso.
Mas não apenas.
Porque também existem os musicais tristes, melancólicos, emocionantes; aqueles que encontram na música, na dança e no palco uma maneira de falar sobre aquilo que seria difícil demais encarar apenas pela palavra.
Vindos de Longe entende isso muito bem.
O espetáculo não tenta transformar a tragédia em algo alegre, tampouco suaviza o peso de um dos acontecimentos mais marcantes da história recente.
Em vez disso, escolhe olhar para aquilo que aconteceu longe das imagens que ficaram gravadas na memória coletiva: enquanto o horror tomava conta dos céus e de Nova York, em terra firme, na pequena cidade de Gander, no Canadá, outra história começava a ser escrita.
Ou melhor, outras histórias.
E é justamente nelas que o musical encontra sua maior força.
Quando o espaço aéreo norte-americano foi fechado, 38 aviões foram desviados para Gander, fazendo com que mais de 7 mil passageiros, vindos de diferentes países, línguas, culturas e credos, desembarcassem repentinamente em uma comunidade que não estava preparada para receber aquela multidão.
A peça poderia ser sobre o 11 de setembro, mas é muito mais interessante quando percebemos que ela é, na verdade, sobre o que fazemos uns pelos outros quando somos colocados diante do desconhecido.
Pessoas que jamais se encontrariam em circunstâncias normais dividem comida, espaço, medo, histórias e, aos poucos, também afeto. ‘Vindos de Longe’ transforma 11 de setembro em história sobre o que ainda nos une (Foto: João Caldas Filho) O que parecia ser apenas uma interrupção de viagem se transforma em uma experiência coletiva.
Por isso, é impossível assistir ao espetáculo sem perceber um paralelo com a própria experiência de estar no teatro: nós também chegamos de lugares diferentes, com nossas próprias histórias, crenças, problemas e preocupações, sentamos lado a lado com desconhecidos e, durante quase 2 horas, compartilhamos exatamente a mesma arte e sensações.
Rimos juntos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em rollingstone.com.br — o conteúdo pertence a Rolling Stone Brasil.