Pitty compara novo disco sobre angústias e términos a dois anos de terapia
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Pitty diz considerar que só agora, aos 49 anos, fez seu primeiro disco. A razão disso está na circunstância inédita em que o projeto nasceu: de uma ebulição de angústias acumuladas. O resultado está em 13 faixas que condensam, nas palavras da baiana, "dois anos de terapia" e pode ser ouvido em "Pitty", já disponível nas plataformas digitais.
O álbum expõe uma relação complicada com a mãe, o luto de um relacionamento mal-acabado e até um apetite por sexo. "Agora estou me colocando de forma vulnerável, visceral, porém plena e forte", afirma a artista. "Tem coisas que precisam ser ditas."
A urgência para desabafar se impôs antes de pensar que aquilo daria música , ela diz. Entre janeiro e fevereiro, a artista rascunhou confissões de forma compulsiva, sem a companhia da banda e da equipe outrora presente. Depois de arriscar produzir sozinha as canções, percebeu ter parido um álbum.
"Eu precisava fazer, foi maior do que eu. Me vi diante do violão e da tecnologia que hoje ajuda quem quer se autoproduzir. Foi um ‘faça você mesma’. Por isso sinto essa coisa de primeiro disco." Com as versões inacabadas em mãos, Pitty foi até o produtor Rafael Ramos, seu braço-direito, e terminou o projeto.
Foi mais ou menos assim que ela estreou, há 23 anos, com "Admirável Chip Novo" , escrito no seu quarto, só a artista e o violão. À época, Pitty ainda era Priscilla Novaes, morava em Salvador e desejava fazer da música um trabalho. Seis álbuns depois, ela reencontra a vontade de criar em anarquia, mas entendendo melhor quem é.
Na roqueira "Álbum de Casamento", Pitty reflete sobre o que resta de um relacionamento acabado. "Devolva minhas senhas, eu confiei em você/ a minha autoestima não precisa devolver/ eu já tomei de volta posse do que é meu", ela canta. Mais adiante, agradece pelo tal casamento ter, ao menos, gerado sua alma favorita no universo.
A faixa "Amiga," também parece fazer referência a uma picuinha da vida real ao expor os podres de uma amizade falsa. Pitty não gosta de explicar suas composições e diz preferir que cada um tire suas conclusões. "Quebra a magia. Prefiro que as pessoas escutem."
Mas ela detalha uma das canções. "Cuidada", a mais melancólica do álbum, revê a relação dela com a mãe, Laurita. Era ruim. Na letra, a cantora reclama de ter se sentido abandonada em casa, de não ter conversado o suficiente com a mulher e de ter recebido poucos abraços. Ao fim, Pitty diz hoje entender que faltou cuidado à mãe. Laurita já morreu.
"Essa letra é bem doída. Eu precisava falar sobre isso. Foram dois anos de terapia em dois meses."
Pitty não lançava um álbum de inéditas desde 2019. Embora não tenha se ausentado dos palcos, ela diz que precisou dessa pausa dos estúdios para cuidar de outras frentes da carreira, como direção de shows. É ela quem está à frente da nova turnê, que estreia em São Paulo, no Espaço Unimed. O show acontece neste sábado (17), às 22h30. Depois, vai para Curitiba e Belo Horizonte.
"Pitty" é o álbum mais pop do repertório dela.
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