6 por 1 e maioridade penal levam Lula e Flávio a se acusarem de duas caras
O presidente Lula (PT) chegou vacinado para a sabatina do Jornal Nacional de quinta-feira (16). Durante a semana, seu adversário na corrida ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL), bombardeou os eleitores com uma propaganda coalhada de cenas de violência urbana e crimes cometidos por adolescentes. Tudo entrecortado por falas do presidente sobre o tema. Em uma delas ele classifica a proposta de prender adolescentes, um clássico do populismo penal, como um "crime contra o futuro do país".
"(A redução da maioridade) É uma pauta que defendemos por décadas", diz o Zero Um em um dos cortes.
Questionado em rede nacional sobre a PEC da Segurança, travada no Senado, Lula disse pela primeira vez ser a favor da redução para quem comete crimes hediondos. Não citou pequenos furtos, tema de seu discurso usado pelo inimigo. Mesmo assim a apresentadora Renata Lo Prete precisou refazer a pergunta para se certificar de que estava ouvindo aquilo mesmo. Parte dos eleitores também.
Na mesma entrevista, Lula atribuiu aos governos estaduais as falhas na área da segurança e disse que seu projeto visava justamente colocar o pé da União no combate às facções. Era um jeito de se defender das acusações de que não tem pulso para tirar os bandidos de circulação.
Flávio, na outra ponta, já havia preparado o terreno para tentar deslegitimar qualquer discurso linha-dura do opositor. Dizia que a PEC do governo protegia os bandidos e punia os policiais. E, num leilão às avessas, chegou a defender a redução da maioridade para 14 anos. Pelo andar da carruagem, até o fim da campanha já vai ter criança de oito meses em cana por cuspir a mamadeira no chão.
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Flávio explorava a metamorfose do petista enquanto Lula mostrava na TV as contradições do rival em outro campo: o dos direitos do trabalhador .
Com tantas diferenças, a estratégia é quase a mesma: colocar no oponente o selo de duas caras.
Lula não teve tanto espaço como queria para falar sobre o fim da escala 6 por 1 na sabatina. Mas, nas redes, fez o possível para classificar como oportunismo político a conversão do adversário de detrator para defensor da ideia de reduzir a jornada e garantir um dia a mais de folga para o trabalhador. Não sem um alerta.
"Nossos adversários decidiram votar favorável (ao fim da escala 6 por 1). É preciso ficar alerta. É oportunismo eleitoral. Essa gente não tardará, se ganharem o Brasil, em acabar (com o direito). Eles preferem o sistema do (Javier) Milei (presidente da Argentina) de 12 horas por dia de trabalho", disse o presidente na propaganda.
Lula e Flávio sabem o terreno em que pisam. Pesquisa divulgada na penúltima semana antes da eleição mostra a violência no topo das preocupações de 2 em cada 10 brasileiros. Economia é citada por 15%.
Corrupção tem metade das menções (7%), o que praticamente dispensou Daniel Vorcaro das propagandas oficiais de ambos os candidatos. As falcatruas do Banco Master só apareceram na sabatina por insistência de Lo Prete.
A essa altura do campeonato, Lula e Flávio se arriscam ao desdizer aquilo tudo que nos disse antes para ganhar um naco de eleitores do rival.
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