ONS prepara teste de corte automático de geração solar até o fim do ano
O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) prepara para o fim deste ano um esquema automático de corte de geração solar distribuída para reforçar a segurança do sistema em situações de excesso de energia, quando os demais mecanismos de controle já tiverem sido esgotados.
A medida, batizada de Erag (Esquema Regional de Alívio de Geração), foi detalhada pelo diretor de planejamento do ONS, Alexandre Zucarato , durante a terceira edição do MinutoMega Talks , realizado pela MegaWhat .
O conceito é inspirado no Erac, o Esquema Regional de Alívio de Carga , usado para cortar automaticamente parte do consumo em situações críticas e impedir que uma perturbação se transforme em um apagão de grandes proporções.
No caso do Erag, a lógica é inversa: em vez de cortar carga, o sistema reduzirá a geração .
Segundo Zucarato, o mecanismo será acionado apenas depois de esgotada uma sequência anterior de medidas.
Primeiro, o ONS reduz o máximo possível da geração centralizada (grande porte) sob seu controle.
Depois, executa o plano de gestão de excedentes nas usinas Tipo III.
Se, mesmo assim, o sistema continuar com excesso de geração, entra em cena o novo esquema.
“O ONS apelidou de Erag, Esquema Regional de Alívio de Geração, que é basicamente: cortou tudo que dava na geração centralizada, executou o plano de gestão de excedentes nas usinas Tipo III e o sistema ainda está com excesso de geração”, afirmou.
A ideia é instalar a proteção na chamada minigeração remota, de forma automática e seletiva, procurando reduzir geração sem atingir o consumo dos clientes.
Segundo Zucarato, o desenho em estudo considera a possibilidade de alocar 3 GW de capacidade no Erag, divididos em três estágios de 1 GW cada.
Hoje, a micro e a minigeração distribuída somam cerca de 50 GW de capacidade instalada no país, de acordo com o executivo.
A expansão acelerada dessas fontes, principalmente de painéis solares, aumentou a dificuldade de operação do sistema em períodos de baixa demanda e elevada produção fotovoltaica.
Nessas situações, a geração distribuída reduz fortemente a carga líquida percebida pelo ONS, enquanto parte relevante dessa produção não pode ser observada ou comandada diretamente pelo operador.
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