Projeto que suspendia consignados do Banco Master na folha é vetado
A prefeita Adriane Lopes (PP) vetou integralmente o projeto que suspendia descontos na folha de pagamento dos servidores de Campo Grande vinculados ao Banco Master, ao CredCesta e a empresas relacionadas.
A decisão foi publicada nesta terça-feira (13), em edição extra do Diogrande (Diário Oficial do Município), sob o argumento de que a Câmara não pode determinar, por lei municipal, a interrupção generalizada de contratos privados de crédito.
Ao justificar o veto, a PGM (Procuradoria-Geral do Município) sustentou que o Município tem competência para administrar a própria folha, fiscalizar as empresas autorizadas a realizar consignações e impedir descontos irregulares.
O problema, segundo o parecer, está em suspender automaticamente todas as operações relacionadas às empresas citadas, inclusive contratos que possam ter sido celebrados de forma regular.
A Procuradoria sustentou que regras sobre contratos privados e política de crédito são de competência da União.
O parecer também destacou que a liquidação extrajudicial do Banco Master não torna inválidos, por si só, os empréstimos firmados com clientes.
Na avaliação do Município, cada suspensão precisaria estar ligada a uma irregularidade identificada, a um impedimento comprovado ou a uma decisão da autoridade competente.
Outro argumento usado para barrar o projeto foi o risco de a interrupção dos descontos criar novos problemas para os próprios servidores.
A Prefeitura observou que deixar de retirar a parcela da folha não significa quitar a dívida nem suspender automaticamente juros e outros encargos.
Por isso, servidores poderiam ficar sujeitos a cobranças por outros meios e a novas disputas sobre o pagamento das parcelas.
O parecer também citou decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de abril deste ano que derrubou medidas adotadas em Mato Grosso para suspender operações de crédito consignado.
Naquele julgamento, a Corte entendeu que leis locais não podem interferir de forma ampla em contratos privados e na política de crédito, ainda que o objetivo seja investigar possíveis fraudes ou proteger servidores.
A própria Procuradoria da Câmara havia opinado pela não tramitação da proposta antes da votação.
Segundo a mensagem enviada ao Legislativo, o órgão considerou que a matéria tratava de direito civil e política de crédito, assuntos reservados à legislação federal.
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